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Amanhã Mais

Yannick Afroman

LetraSignificado

    Huh
    Quem empresta, não melhora, ya?

    Eu estava bem pausado no cubico
    Apareceu um kamba meu, já bem aflito
    (Tô mal, me empresta só um dinheiro, meu filho tá no hospital)
    Não vou te mentir, meu mano
    Também tô gato, tou a travar com jantes
    O único 100 que tenho aí já fiz com ele planos
    Se me dissesse antes
    (Faz favor, meu irmão, me ajuda só)
    Vi memo que o homem tava à rasca
    Tá fixe, vou-te emprestar, não tem maka

    (Eh, você é um brada, ya)
    (Me safaste, ya)
    (Segunda-feira, sem falta, vou trazer teu kumbú, ya?)
    (Muito obrigado)
    Segunda-feira passou, não veio, nem deu nenhum sinal
    Terça, quarta, na quinta lhe liguei: Como é, estás a me deixar mal
    Pensei que ele iria de me falar: Calma aí, desculpa lá
    Tá mbora a me berrar

    (Fica calmo, achas que eu vou-te fugir por causa de cem dólares, xé?)
    (Cem dólares também é o quê?) Ahah?
    Agora afinal é assim?
    Quando fazes o bem, te fazem o mal?
    (Cem dólares? Pego mais que isso)
    Eh, preto, eh
    Tá bom então, cem dólares não é nada
    Paga só e acabou
    (Oh, me liga amanhã ou passa na minha casa, ya?) Eh? É que te burla
    Tá a ver como é que vocês são?
    Quando é pra emprestar na aflição
    Até pedem favor e muito mais
    Mas na hora de pagar, tem que andar a vossa atrás

    Aí começa o baile
    Já não te atende telefone
    Quando vais à casa dele, manda dizer que não está
    Na rua basta te ver, te tranca a cara pra você nem lhe cobrar
    E eu que já sou puro rafeiro
    Como é então, o meu dinheiro?
    (Não me cobra assim, eu vou te pagar) estás armado em bisneiro, né?
    (Não, vou te pagar) até quando, desde o ano passado?

    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor
    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor

    Tou malaike contigo, sabes, né?
    (Por quê?)
    Você sabe, estás a fazer de esquecido
    (Ah, aquele bisno)
    Eu quando te mostrar meu outro lado, não reclama (calma)
    Calma o quê, xé?
    Sempre eu vou pagar, mas nunca paga?
    Vou levar, mas nunca leva?
    Como é então? Tás armado em brincalhão

    São esses
    Lhe empresta o mambo, gostou do mambo, te bisna que perdeu
    (Xé, lhe manda pagar)
    Vê só, já que perdeu
    Não arranja já outro pra devolver, ainda vem te dizer
    (Se queres que eu pague, é só falar)
    Esse assim não quer pagar
    Há quem você lhe empresta, mas quando é na vez dele, nunca tem (tô fraco)
    Tá sempre fraco
    E aquele teu mambo? (Não vai dar, vou precisar)
    Como diz o brasileiro: Fala sério
    Não dá só bué de voltas, diz só que não quer
    Não fica mais fácil? (Sim)
    Não é mais fácil? (Sim)

    Pede mesmo: Fulano, me dá
    Não é porque: Me empresta
    Pra amanhã, dizer: 50 kwanzas memo também é pra cobrar?
    Não importa a quantia ou a coisa (você é agarrado, ya?)
    Emprestaste, tens que devolver ou pagar
    Cabe a ele receber ou dizer: Deixa estar
    É justo (e apertado)

    É tipo emprestar num kamba íntimo ou num familiar, é a coisa mais complicada
    Podem se encontrar de mais breve
    Não tocam no assunto, fica tipo não te deve
    E pela relação você até fica com peso de cobrar ou de mandar pagar
    Vale unir família

    Quando um gajo não empresta, ah porque: Não presta
    Agora lhe emprestei, tá-me a trazer a coisa toda estragada
    Ainda quer discutir: (Não, me deste mesmo assim)
    Tens a certeza? (Ya, juro)
    Muito obrigado

    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor
    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor

    Eu já vi
    Há pessoas, por mais que estejem á rasca
    Não adianta lhes emprestar
    Pra devolver, demora
    Pra pagar, é um ano
    Não é porque não tem
    Há quem memo não gosta de pagar a dívida
    Lhe dói no coração
    Quando paga metade, outra metade lhe dá muito de voltas
    Você próprio até desiste, já viste?

    Cobrar o que é teu é motivo de discussão
    Às vezes não é só troca de palavras, sai memo confusão
    (É o quê? Toda a hora me cobrar?)
    (Se ainda não tenho, vou roubar?)
    Esse mundo é ingrato
    A pessoa que disse: Quem empresta não melhora
    Não falou à toa
    Há madjés, você lhe empresta o mambo, empresta mais noutra pessoa
    Depois, quando perde, ainda tem coragem de te falar
    (Eu já te entreguei, você que não tá se lembrar)
    Ai é? (Ya, se lembra só bem)
    Tá fixe, meu erro foi de te emprestar

    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor
    Amanhã mais
    Burro sou eu, fiz mal de te emprestar
    Tá fixe, não tem maka
    Os pretos só almoçam, não jantam
    E o último a rir, ha, ha, ha ha
    Ri melhor

    Composição: Yannick Afroman, Cleff. Essa informação está errada? Nos avise.
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