Exibições da letra 9

Fresta do Infinito

Zaylê

Letra

    Sou verso solto na dobra do tempo
    Rasgando o silêncio com doce lamento
    Na dança da brisa que afaga o cimento
    Sonho acordado num breve momento

    Espelho quebrado reflete universo
    Em cada estilhaço um poema disperso
    O caos é harmônico, quase subverso
    No peito, um abismo de canto reverso

    E se eu for só fresta do infinito
    Luz que escapa, mesmo em grito aflito
    Me despeço do que nunca dito
    E abraço o mundo no que acredito

    Carrego perguntas no bolso rasgado
    Respostas me fogem num tom disfarçado
    Sou verbo no cio, desejo alado
    Nas entrelinhas do não-declarado

    Faço da dor um bilhete encantado
    Do riso, um abrigo improvisado
    E sigo, ainda que despedaçado
    Com alma em festa e corpo cansado

    E se eu for só fresta do infinito
    Luz que escapa, mesmo em grito aflito
    Me despeço do que nunca dito
    E abraço o mundo no que acredito

    Não me contenha em moldura ou muro
    Sou tempestade no traço mais puro
    Entre o delírio e o sonho mais duro
    Habita em mim o futuro inseguro

    No trapézio dos dias, me jogo sem medo
    Não por coragem, mas por segredo
    Porque viver é poema sem enredo
    E amar é se despir sem degredo

    E se eu for só fresta do infinito
    Deixa que a luz me tome por escrito
    Não peço paz, mas sim um conflito
    Que me transforme em algo bonito


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