
Cidadão
Zé Geraldo
Exclusão e resistência do trabalhador em “Cidadão”
A música “Cidadão”, de Zé Geraldo, retrata de forma direta a realidade de muitos trabalhadores que constroem a cidade, mas permanecem à margem dos benefícios que ela oferece. Inspirada na história real do tio do compositor Lúcio Barbosa, a letra destaca o paradoxo vivido por operários: são essenciais para o desenvolvimento urbano, mas enfrentam preconceito e exclusão. O trecho “Tá vendo aquele edifício moço? Ajudei a levantar... Mas me chega um cidadão e me diz desconfiado, tu tá aí admirado ou tá querendo roubar?” mostra como esses trabalhadores são vistos com desconfiança, mesmo diante das obras que ajudaram a erguer.
A canção também evidencia a dor da exclusão social, especialmente quando o personagem vê sua filha ser impedida de estudar no colégio que ele mesmo construiu: “Criança de pé no chão, aqui não pode estudar”. Esse episódio reforça a crítica à desigualdade e à falta de mobilidade social, além de remeter à migração forçada do Nordeste para o Sudeste, motivada pela seca e pela busca de melhores condições de vida. A igreja surge como o único espaço de acolhimento, simbolizando esperança e solidariedade, em contraste com a frieza das instituições civis. Por fim, a metáfora “Fui eu quem criou a terra... Hoje o homem criou asas e na maioria das casas eu também não posso entrar” amplia o sentido da exclusão, mostrando que, mesmo sendo parte fundamental da construção do mundo moderno, o trabalhador segue privado de dignidade e pertencimento.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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