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Vide, Vida Marvada/ Admirável Gado Novo (pot-pourri)

Zé Henrique

Letra

    Corre um boato aqui donde eu moro
    Que as mágoas que eu choro
    São mal ponteadas
    Que no capim mascado do meu boi
    A baba sempre foi
    Santa e purificada
    Diz que eu rumino desde menininho
    Fraco e mirradinho
    A ração da estrada
    Vou mastigando o mundo e ruminando
    E assim vou tocando
    Essa vida marvada

    É que a viola fala alto no meu peito humano
    E toda moda é um remédio pro meu desengano
    É que a viola fala alto no meu peito humano
    E toda magoa é um mistério fora desses planos
    Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
    Chega lá em casa pro uma visitinha
    Que num verso ou num reverso da vida inteirinha
    Há de encontrar-me num cateretê
    Há de encontrar-me num cateretê

    Tem um ditado dito como certo
    Que cavalo esperto
    Num espanta boiada
    E quem refuga o mundo resmungando
    Passará berrando essa vida marvada
    Cumpade meu que envelheceu cantando
    Diz que ruminando da pra ser feliz
    Por isso eu vagueio ponteando e assim procurando
    A minha flor-de-lis

    É que a viola fala alto no meu peito humano
    E toda moda é um remédio pro meu desengano
    É que a viola fala alto no meu peito humano
    E toda magoa é um mistério fora desses planos
    Pra todo aquele que só fala que eu não sei viver
    Chega lá em casa pro uma visitinha
    Que num verso ou num reverso da vida inteirinha
    Há de encontrar-me num cateretê
    Há de encontrar-me num cateretê

    Vocês que fazem parte dessa massa
    Que passa dos projetos do futuro
    É duro tanto ter que caminhar
    E dar muito mais do que receber

    E ter que demonstrar sua coragem
    À margem do que possa parecer
    E ver que toda essa engrenagem
    Já sente a ferrugem lhe comer

    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz!
    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz!

    Lá fora faz um tempo confortável
    A vigilância cuida do normal
    Os automóveis ouvem a notícia
    Os homens a publicam no jornal

    E correm através da madrugada
    A única velhice que chegou
    Demoram-se na beira da estrada
    E passam a contar o que sobrou

    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz!
    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz!
    Oh, oh, oh

    O povo foge da ignorância
    Apesar de viver tão perto dela
    E sonham com melhores tempos idos
    Contemplam esta vida numa cela

    Esperam nova possibilidade
    De verem esse mundo se acabar
    A arca de Noé, o dirigível
    Não voam, nem se pode flutuar

    Não voam, nem se pode flutuar
    Não voam, nem se pode flutuar

    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz (eu quero ouvir vocês, vai)
    Eh, oh, vida de gado
    Povo marcado, eh
    Povo feliz!

    Ooi
    Oh, uoh, uoh, uoh, uoh, eh, eh, eh, boi
    Eh, boi, yeah, yeah, boi

    Composição: Zé Ramalho, Rolando Boldrin. Essa informação está errada? Nos avise.

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