
Canção I
Zeca Baleiro
A ausência criativa e o desejo em “Canção I” de Zeca Baleiro
Em “Canção I”, Zeca Baleiro trabalha a ausência como elemento central, inspirando-se na poesia de Hilda Hilst e em referências mitológicas. A letra recusa deliberadamente a presença de Dionísio, deus do êxtase e do desejo, e transforma essa ausência em fonte de riqueza emocional e criativa. O verso “Porque é melhor sonhar tua rudeza / E sorver reconquista a cada noite” mostra como o desejo não realizado e a espera constante alimentam a imaginação e intensificam o sentimento. Aqui, a ausência não é apenas falta, mas um espaço fértil onde Ariana (referência à Ariadne, da mitologia grega) se prepara, cultivando aroma, corpo e verso, e transforma a espera em um ritual de autoconhecimento e criação.
A repetição de “Que não venhas, Dionísio” reforça a ideia de que a expectativa e o sonho podem ser mais valiosos do que a realização imediata do desejo. A letra sugere que, se Dionísio estivesse presente, Ariana perderia a sensibilidade para as pequenas coisas do mundo exterior, como “voz e vento apenas / Das coisas do lá fora”. Assim, a ausência se torna “sábia”, pois permite que o verso – e a própria vida – se construa a partir do anseio, da preparação e da esperança. O contexto do álbum, que dialoga com temas mitológicos e a poesia intensa de Hilst, aprofunda essa leitura, mostrando como o amor, o desejo e a espera podem ser celebrados não só na presença, mas principalmente na ausência e no sonho.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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