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Filho Da Véia

Zeca Baleiro

Proteção e ancestralidade em “Filho Da Véia” de Zeca Baleiro

“Filho Da Véia”, de Zeca Baleiro, explora com humor e confiança a proteção espiritual das tradições afro-brasileiras. O eu lírico se apresenta como alguém imune a males, inveja e azar, afirmando que nada o atinge porque é protegido pela “véia”. Essa figura faz referência a entidades femininas poderosas das religiões de matriz africana, como as Pombagiras, frequentemente associadas a encruzilhadas e à força espiritual feminina.

A letra traz elementos típicos dessas práticas, como “marafa” (bebida alcoólica), “dendê” (óleo usado em rituais) e “banho de arruda” (erva para limpeza espiritual), reforçando a ligação com o candomblé e a umbanda. O personagem atribui sua sorte e sucesso – como não bater mais o carro, sempre ter dinheiro e mulheres, e estar “coberto dos pés à cabeça” – à proteção da “véia”. O verso “nego me encosta cai duro no chão” mostra que qualquer tentativa de prejudicá-lo acaba mal para o agressor, graças à força espiritual que o cerca. Ao dizer “quem quiser que acredite / ou então deixe de acreditar”, a música ironiza o ceticismo, mostrando que a fé na “véia” é inabalável para quem a vive. Assim, Zeca Baleiro celebra a autoconfiança, a ancestralidade e a riqueza cultural das religiões afro-brasileiras, misturando referências religiosas com leveza e irreverência.

Composição: Luiz Americo, Braguinha. Essa informação está errada? Nos avise.

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