
Pedras
Zepelim e o Sopro do Cão
“Pedras” e a indigestão social em Campina Grande de hoje
“Pedras”, da Zepelim e o Sopro do Cão, encara um paradoxo duro: “a realidade vence, vence e se anula” — tanta pancada que entorpece. “São pedras no seu bucho” vira dor física e indigestão social, com fome, doença, violência e culpa enfiadas goela abaixo. No sotaque de Campina Grande e no caldeirão hardcore-punk-ska-rap, a letra mistura rua e cozinha para falar de envenenamento coletivo: “envenenaram o guisado”, “bode que encharcava o xerém”, “virou cabidela”. A comida vira retrato de um corpo social contaminado. O duplo sentido pesa: “não é megadrive e seus cartucho” evoca a infância dos cartuchos; “cano se soprar pra mim já era” vale para soprar cartucho e para o cano de arma — e “cartucho” também é munição. “Mais pressão do que panela” junta a panela de pressão da vida ao clima tenso de rua e redes: “coletivamente os homens se odeiam da janela”. A menção à “Fender clássica” põe o riff brilhando no meio da “mizera”, refinamento colado na crueza da cidade.
A narrativa acompanha o colapso do corpo e da mente: “Pensei que era dengue / acamado no trauma / tala de cem na mão” mostra pronto-socorro e dinheiro atravessando o cuidado — a “tala” que custa. “tô vomitando uns amém” mistura fé com náusea; “pren e o pão” resume aperto e sustento. O refrão busca trégua: “Realidade, não converge / me compete são”. “Só pedregulho a fundação é forte” afirma a resistência. O ataque social é direto: “Quem defende o circo se fode”; “quem não tem acué” fica fora do jogo. “Invente o ciclo e foge” é o corre repetitivo; “na vida eu também sou refém desses refrão” admite o loop. “Pede o sincero que for, sem conexão / vê o cara diferente, diz eu não tenho não” expõe a apatia. E “toma o link da partida com definição” mistura internet e futebol pirata — gesto sardônico que já conversa com a coletividade de “Arquibancada Sol”. No fim, “Pedras” retrata Campina Grande em fricção com o interior: humor ácido, gíria local, cozinha como campo de batalha e som pesado segurando a barra.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



Comentários
Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra
Faça parte dessa comunidade
Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Zepelim e o Sopro do Cão e vá além da letra da música.
Conheça o Letras AcademyConfira nosso guia de uso para deixar comentários.
Enviar para a central de dúvidas?
Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.
Fixe este conteúdo com a aula: