
Dengue
Zezé Motta
Relação entre espiritualidade e cultura afro em “Dengue”
Em “Dengue”, Zezé Motta explora a dualidade entre energia e serenidade logo nos primeiros versos, ao repetir as palavras “dengue” e “calma”. Enquanto “dengue” faz referência ao charme, à ginga e ao encantamento presentes na cultura afro-brasileira, “calma” traz a ideia de paz e tranquilidade. Essa oposição se aprofunda quando a artista invoca Oxum, orixá das águas doces, do amor e da prosperidade, especialmente nos versos “Oxum me entende, Oxum me acalma”. A música assume, assim, o tom de uma oração ou pedido de proteção, onde a busca por equilíbrio emocional e espiritual se torna o foco principal.
O trecho “Na cachoeira toda dourada, toda faceira, toda enfeitada” remete ao ambiente sagrado de Oxum, as cachoeiras, e à sua ligação com o ouro e a beleza. A saudação “Ora iê iê ô, dona do ouro” reforça essa conexão, sendo uma expressão tradicional do candomblé dedicada à orixá. Além do aspecto espiritual, a canção ganha força pelo contexto de Zezé Motta como símbolo da valorização da cultura negra no Brasil. Dessa forma, “Dengue” vai além de uma homenagem religiosa, tornando-se também um ato de afirmação cultural, celebrando a força, a doçura e a ancestralidade afro-brasileira com respeito e orgulho.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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