
Já Fui Uma Brasa
Adoniran Barbosa
Humor e memória em “Já Fui Uma Brasa”, de Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa transforma a gíria dos garotos da Jovem Guarda — “é uma brasa, mora?” — em comentário bem-humorado sobre envelhecer no showbiz. Em “Já Fui Uma Brasa” (1974), ele se chama de “cinza” para rir de si sem perder a esperança: “se assoprarem posso acender de novo”. A canção contrapõe seu auge ao presente dominado pelo iê‑iê‑iê, movimento que no Brasil ecoava os Beatles. Isso aparece no verso “o rádio que hoje toca iê‑iê‑iê... tocava Saudosa Maloca”, que revê a mudança do gosto popular. Mesmo assim, ele demonstra generosidade e senso de continuidade em “Eu gosto dos meninos... porque com eles canta a voz do povo”, reconhecendo que a música muda, mas segue falando pelo povo.
A metáfora do calor artístico organiza tudo: “brasa”, “cinza” e “lenha” marcam fases de fama e esquecimento; “acendeu muita lenha no fogão” remete ao passado de sucesso, e o “assopro” é o incentivo do público e da indústria capaz de reacender sua chama. O tom é de conversa de bar, inclusive na cena declamada em que um “broto” o chama de “cinza”, momento em que humor e autoestima se encontram. Há ainda o peso histórico: mesmo sem ser um protesto explícito, a canção enfrentou a censura da ditadura, o que dá melancolia a “Quem sabe de mim é meu violão” — quando a voz pública é podada, resta confidenciar ao instrumento. No final, Adoniran se coloca como ponte entre gerações: respeita o novo som, reivindica seu lugar na história e lembra que ainda tem lenha para queimar.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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