
Joga A Chave
Adoniran Barbosa
“Joga A Chave”: boemia, jeitinho e afeto paulistano
Em “Joga A Chave”, o pedido de desculpa vem com um truque para manter o hábito de chegar tarde. O narrador, um boêmio que volta de madrugada e encontra a porta trancada, pede com carinho que a esposa jogue a chave pela janela. A cena nasce de um episódio doméstico vivido por Adoniran Barbosa com a esposa, Matilde, e vira crônica bem-humorada do cotidiano paulistano, composta em parceria com Osvaldo Moles (1952). O humor aparece na contradição entre a promessa “amanhã eu não perturbo mais” e, logo depois, a admissão de que pode chegar “à meia-noite e cinco” ou “a qualquer hora”: não é promessa de mudança, é um apelo por paz na convivência.
A imagem do “furo na porta” e do “cordão no trinco” condensa o jeitinho: uma gambiarra prática para abrir por fora e poupar o sono dela. Essa solução revela um sujeito culpado, mas afetuoso e pragmático, que prefere contornar o conflito com leveza a comprar briga. A repetição do refrão reforça o pedido manso, o tom de conversa à porta e a teimosia carinhosa de quem insiste até ser atendido. O registro é o do samba paulistano popularizado pelos Demônios da Garoa, que levaram ao grande público outras crônicas de Adoniran, como “Saudosa Maloca” e “Trem das Onze”. Assim, a pequena cena se amplia: vira retrato de amor, rotina e uma malandragem mansa típica da cidade.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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