
Agalopado
Alceu Valença
Contrastes e referências literárias em “Agalopado” de Alceu Valença
Em “Agalopado”, Alceu Valença utiliza imagens inusitadas, como “faço a lua brilhar no meio-dia” e “dou um beijo no fio da navalha”, para desafiar a lógica e surpreender o ouvinte. Essa escolha dialoga com a tradição do "martelo agalopado", um tipo de repente nordestino marcado pelo improviso e pela criatividade, e também com a figura de Dom Quixote, citada diretamente na letra. Ao se autodenominar “porta-voz da incoerência”, Alceu assume o papel de quem transita entre extremos emocionais, misturando dor, amor e desengano em um ambiente de contrastes intensos, típico da cultura popular nordestina que inspira a canção.
As referências literárias ampliam o significado da música. Ao mencionar “Don Quixote liberto de Cervantes”, Alceu sugere uma libertação das ilusões, reconhecendo que “os moinhos são reais” — ou seja, os desafios da vida não são apenas fantasias, mas obstáculos concretos. A citação de Drummond em “viro pedra no meio do caminho” e de Guimarães Rosa em “viro rosa, vereda de espinhos” reforça a ideia de transformação diante das dificuldades, mostrando como o artista se reinventa entre dureza e delicadeza. O verso final, “incendeio esses tempos glaciais”, resume o desejo de trazer calor, paixão e movimento a uma realidade fria, destacando a força criativa de Alceu Valença ao unir tradição e inovação.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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