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Gestos e saudade no cotidiano de “Menina” de Alfredo Zitarrosa

Em “Menina”, Alfredo Zitarrosa utiliza gestos simples do cotidiano rural para expressar sentimentos profundos. O momento em que o narrador pede mate à menina — “não é sede, não é nada, é vontade de te ver” — mostra que o ato de compartilhar a bebida típica do campo uruguaio é, na verdade, um pretexto para se aproximar dela. Esse detalhe revela o desejo contido e a ternura presentes na relação, reforçando a importância dos pequenos gestos na cultura rural, algo valorizado por Zitarrosa, que viveu no campo e sempre destacou essas tradições em sua obra.

A música cria uma atmosfera nostálgica ao mencionar elementos como o “algarrobal”, o “grillo” e os “campos grises de marcela”, transportando o ouvinte para as paisagens serenas do interior do Uruguai. O uso alternado do português e do espanhol na letra homenageia a diversidade cultural do Rio da Prata e sugere uma conexão afetiva entre diferentes mundos: rural e urbano, passado e presente. O verso final, “me fui pero me quedé” (“fui embora, mas fiquei”), sintetiza o sentimento de partir fisicamente, mas permanecer emocionalmente ligado ao lugar e à experiência vivida, um tema recorrente na obra de Zitarrosa e central para a compreensão da música.

Composição: Washington Benavides, Carlos Benavides. Essa informação está errada? Nos avise.

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