
O Fado de Cada Um
Amália Rodrigues
Destino e voz em “O Fado de Cada Um”, de Amália Rodrigues
Em “O Fado de Cada Um”, Amália Rodrigues trabalha o duplo sentido de “fado”: destino e canção. Com letra de Silva Tavares e música de Frederico de Freitas, a peça foi criada para o filme de 1947 “Fado, História de uma Cantadeira” e, curiosamente, Amália nunca a gravou em estúdio. Na trama, a artista ascende sob perdas e pressões, e a performance vira máscara. A interpretação de Amália expõe o que a personagem tenta esconder: ela “finge ser quem não sou”, mas deixa “na minha voz, soluçando” que a dor apareça. A própria ideia de fado, como gênero, vira o instrumento que desfaz o disfarce.
O texto insiste na inevitabilidade do destino: “Fado é sorte, e do berço até à morte / Ninguém foge, por mais forte / Ao destino que Deus dá!”. Essa resignação molda a narrativa de alguém que reconhece o caminho “amargurado”. O verso “Bom seria poder, um dia, trocar-se o fado por outro fado qualquer” guarda a ambiguidade de trocar o destino ou a própria canção, desejo frustrado porque “a gente já traz o fado marcado”. O golpe final tem recorte social e íntimo: “E nenhum mais inclemente / Do que este de ser mulher!”, alinhado ao arco do filme, em que o preço da fama pesa mais sobre ela. O tom de fatalidade e a voz trêmula revelam o núcleo do fado: aceitar o que vem enquanto o canto confessa aquilo que a máscara não sustenta.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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