
Perseguição
Amália Rodrigues
“Perseguição”: fidelidade e limites no fado de Amália
“Perseguição” apresenta uma mulher que, dentro do fado, recusa o fatalismo e estabelece limites claros. Ela fala diretamente ao homem que a segue “constantemente na rua”, lembra que é casada e reafirma “não posso ser tua”. A proposta é de status e mimos, mas ela não aceita ser “a tua amante” por “capricho ou presunção”. Os gestos práticos de integridade surgem em “Rasguei as cartas sem ler” e “Nem nunca quis receber joias ou flores”. O refrão “Não me vendo, nem me dou” condensa um lema moral em duplo sentido: não se vende por bens materiais nem se entrega sexual ou emocionalmente a quem tenta comprá-la. Ao dizer “já dei tudo o que sou / com amor que não conheces”, indica que a entrega total está reservada ao vínculo legítimo com o marido.
A canção também desloca hierarquias sociais ao opor o pretendente “rico e elegante” ao marido “pobre”, de “alma nobre”, valorizando caráter acima de dinheiro. Lançada em 1945 entre os primeiros singles de Amália Rodrigues, “Perseguição” cristaliza valores centrais do fado — integridade e lealdade — numa voz feminina que impõe fronteiras. A presença do tema no álbum ao vivo “Amália a l’Olympia” (1956) mostra como essa declaração atravessou fronteiras: em Paris, Amália levou ao palco não só a emoção do fado, mas a ideia de dignidade que ecoa em versos como “Não me vendo, nem me dou”, literal no título (assédio na rua) e simbólica como resistência à pressão social e de classe.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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