Misterios
André Prueza
Mistérios
Por entre as estradas, segredos
Por entre as escolhas, meus medos
A coisa mais certa é que a certo me impede de ver
Por entre os acertos, tropeços
Por entre os anseios, mistérios
As portas se abrem também
Quando tudo é incerto
Ai de mim
O direito de errar é meu fardo
O poder de sonhar trás cansaço
O menino que corre
Se prende no homem que sou
É o fim ou o começo do que se escreveu
O autor do que sou, não só eu
Essa pena me fere e me cura
Entre versos e canções, eu vou
Por entre os conselhos, excessos
Por entre gigantes, insetos
As coisas, as vezes
Parecem o que elas são
Por entre desgostos, afetos
Por entre espantos, o tédio
A vida é amiga de quem sabe ser o que é
Ai de mim
A estrada é a luz e a penumbra
É o descanso e também a labuta
É o amargo na língua
Que sente saudade do mel
E assim
O horizonte é só ilusão
Não existe um fim pra esse chão
O caminho se estende
Pralém dessa e qualquer canção
E eu vou



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