
Cavalinho de Pau
Belmonte e Amaraí
Memória, carência e consolo em “Cavalinho de Pau”
“Cavalinho de Pau” não idealiza a infância: revela o vazio de quem cresceu sem o símbolo básico de afeto e pertença. Ao ver um menino brincando com um pau de vassoura, o narrador aciona lembranças ambíguas, resumidas no pedido “Deixe que eu sonhe sozinho / Não me faça recordar”. A cena simples contrasta com a “infância perdida” e aparece no verso “Menino mimado, menino educado / Não tive cavalo de pau nesta vida”. O brinquedo mínimo — “um pau de vassoura e gentil cavalinho” — vira medida de falta: ele nem isso teve. Por isso, o refrão converte o objeto em amparo imaginário, “Cavalinho de minha ilusão”, mas também suplica que leve “pra longe a saudade”, mostrando como a memória fere e consola ao mesmo tempo.
A linha “Talvez minha mãe zelando por mim... tirou-me das mãos, o simples brinquedo” adiciona afeto e dúvida. O eu lírico tenta explicar a ausência sem culpar a mãe, sugerindo cuidado, medo de queda ou limitação material. É uma dor contida, um “soluço baixinho”, marca de Belmonte e Amaraí. Composta por Amaraí em parceria com Clóvis Brunelli, a canção dialoga com o tema que consagrou a dupla em “Saudades de Minha Terra”: a memória como território doce e dolorido. A exaltação do brinquedo simples se alinha à estética sertaneja do cotidiano, e a dupla, que inovou ao incorporar a harpa paraguaia, deu à lembrança um contorno sonoro delicado que reforça a atmosfera de nostalgia da letra.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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