
Respiration
Black Star
“Respiration”: Nova Iorque e Chicago em fôlego urbano
“Respiration”, do Black Star, transforma a cidade em um corpo que respira, sangra e vigia. O refrão “Breathe in/Breathe out” (respire/expire) e a voz em espanhol “Escúchela, la ciudad respirando” (escute, a cidade respirando), sampler de Style Wars, organizam ciclos de sobrevivência noturna, em que cada suspiro é escolha de vida. Mos Def mapeia o contraste entre luxo e escassez — “mercenaries… hot stock tips” (mercenários... dicas quentes de ações) versus “the cost of living is preposterous” (o custo de vida é absurdo) — e expõe a linha borrada entre polícia e ladrão: “can’t tell between the cops and the robbers, they both partners” (não dá para distinguir entre policiais e ladrões, são parceiros). A “shiny apple… bruised but sweet” (maçã brilhante... machucada, mas doce) resume a Nova Iorque atraente e perigosa; imagens como “weed smoke retrace the skyline” (a fumaça de maconha redesenha o horizonte) e “Blastin holes in the night till she bled sunshine” (abrindo buracos na noite até ela sangrar luz do sol) misturam violência, arte e resistência. A batida soul/funk/jazz de Hi-Tek, com o sample de “The Fox”, de Don Randi, dá o pulso contemplativo — a própria cidade respirando entre sirenes, baixo e passos — até o aviso: “the last train leaving” (o último trem partindo), fuga e presságio.
Talib Kweli aprofunda a vigilância e a paranoia: “the beast crept through concrete jungles” (a fera rasteja pela selva de concreto), “ghetto birds” (helicópteros) e o trocadilho “the beast walk the beats, but the beats we be makin” (a fera faz a ronda, mas as batidas são as que fazemos), contrapondo ronda policial e produção musical. Ele revela a “abnormal normality” (normalidade anormal) da desigualdade — “keeping it real will make you casualty” (manter-se “real” vai te tornar uma vítima) —, o corre ambíguo “killers born naturally like Mickey and Mallory” (assassinos nascem naturalmente como Mickey e Mallory) e o metrô: “I take the L, transfer to the 2” (pego a linha L e faço baldeação para a 2), chamando Nova Iorque de “roman empire state” (estado de império romano). Common leva a lente a Chicago: luto e memória em “threw dirt on the casket” (joguei terra no caixão), limites de imaginação em “hard to imagine he hadn’t been past downtown” (difícil imaginar que ele nunca passou do centro) e gentrificação: “Outta the city, they want us gone/Tearin down the ’jects creatin plush homes” (fora da cidade, eles nos querem longe/derrubando os projetos para construir casas luxuosas), com Cabrini-Green e “between cabrini and Love Jones” (entre Cabrini e Love Jones). No fim, o mantra retorna — “I can feel the city breathin” (posso sentir a cidade respirando) — e 1998 ganha um clássico do rap consciente que ainda traduz o peso e o pulso de Nova Iorque e Chicago.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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