23 de Dezembro de 2024, às 12:00
A música é uma importante aliada para entender não apenas sobre a evolução da indústria fonográfica, como também compreender a história do nosso país. A biografia de Elizeth Cardoso, conhecida como “a Divina”, é um exemplo disso.

Elizeth é considerada uma das maiores sambistas antigas, entoando canções desde a década de 1940 e que continuam sendo passadas de geração em geração até os dias atuais.
Mesmo com todo o sucesso conquistado, a Divina também encontrou problemas sociais, familiares e de saúde em sua trajetória, mas que nunca ofuscaram o seu brilho. Relembre a história de Elizeth e conheça mais do Brasil.
Durante sua carreira, Elizeth foi altamente aclamada não só pelo público, mas também pela crítica especializada. Do samba à bossa nova, sua voz sempre entregava ótimas performances, surgindo, daí, seu apelido: a Divina.
Mas toda história de sucesso tem um começo – e com Elizeth não foi diferente. Vamos fazer uma viagem no tempo!
Elizeth Moreira Cardoso nasceu no Rio de Janeiro, especificamente em São Francisco Xavier, no dia 16 de julho de 1920. Ela cresceu na região junto aos pais e seus cinco irmãos.
Na família, o interesse pela música sempre foi explícito. Seu pai, Jaime Moreira Cardoso, era seresteiro e tocador de violão, fazendo com que a filha, desde cedo, tivesse noções instrumentais.
Por outro lado, Maria José Pillar, sua mãe, adorava cantar, sendo mais uma fonte de influência para a pequena Elizeth. A criança aproveitava seus irmãos para formar uma plateia e fazer pequenas apresentações, treinando sua performance em público.
Elizeth fez algumas apresentações de brincadeira, como quando cantou Zizinha, famosa marchinha de Carnaval, aos 5 anos.
As coisas começaram a ficar sérias quando a garota, aos 16 anos, fez uma festa para comemorar o seu aniversário e grandes nomes compareceram ao evento, como Pixinguinha, Dilermando Reis e Jacob do Bandolim.
Jacob, inclusive, ficou impressionado com as habilidades de Elizeth e foi o responsável por indicar suas primeiras oportunidades com o canto na Rádio Guanabara.
Após isso, foi ganhando cada vez mais visibilidade e sucesso no mundo da música.
O estrelato de Elizeth veio a partir de 1950, com o lançamento de seu segundo álbum de estúdio, no qual continha a faixa Canção de Amor, que movimentou a indústria da música brasileira.
Devido à repercussão, a cantora fez performances na Rádio Tupi, no Rio de Janeiro, e teve também a sua estreia no cinema, no filme Coração Materno.
Em 1958, ela lançou Canção do Amor Demais, EP que continha faixas escritas por Vinicius de Moraes e Tom Jobim, além de ter também a participação de João Gilberto no violão, cuja performance era fortemente inovadora.
Apesar de não ter sido um sucesso comercial na época, o projeto foi elogiado pela crítica e é, atualmente, considerado um dos marcos fundadores da bossa nova no Brasil, tendo Elizeth como pioneira do movimento.
Em Canção do Amor Demais, é possível perceber alguns dos elementos que definiriam a bossa nova como estilo, incluindo a quantidade reduzida de instrumentistas e uma relação com o jazz estadunidense.
No EP, destaca-se a faixa Chega de Saudades, eleita pela Rolling Stones como uma das melhores músicas brasileiras de todos os tempos e que carrega também o peso histórico de estabelecer o que é a bossa nova.
Ao longo de sua carreira, a artista lançou mais de 40 projetos, incluindo álbuns solo de estúdio, participações em músicas de grandes artistas, EPs e performances ao vivo.
Chegou a um ponto que seu nome significava sucesso e era reconhecido como um marco, até mesmo internacionalmente, por artistas como Carmen Miranda, que comentou sobre a atenção dos Estados Unidos em suas músicas.
Suas músicas foram gravadas não apenas no Brasil, mas também em países como México, Argentina e Portugal, rompendo fronteiras geográficas com sua voz.
Neste contexto de sucesso, surgiu o apelido de A Divina, dado por Haroldo Costa, sambista e fã da artista. Elizeth também conquistou outras formas de tratamento, como A Magnífica, Lady do Samba e A Noiva do Samba-Canção, todos em homenagem ao seu talento incomparável.
Um dos ápices na carreira de Elizeth aconteceu ainda em 1968, quando ela participou de uma performance histórica no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, ao lado de Jacob do Bandolim e o Zimbo Trio.
A apresentação foi compilada em dois álbuns: Ao Vivo no Teatro João Caetano Vol. I e Ao Vivo no Teatro João Caetano Vol. II, lançados no mesmo ano e fortemente elogiados por apresentarem o melhor da música brasileira ao mundo.
É interessante perceber como a relação entre Elizeth e Jacob se manteve próxima ao longo das décadas.
Ele foi um dos primeiros a incentivar a entrada da artista nos programas de rádio, por volta de 1937. E, mais de 30 anos depois, continuava ao seu lado em uma das performances mais marcantes da história da música brasileira.
A influência de Elizeth Cardoso para a música, nacional e internacionalmente, é inegável. Seu impacto continua perceptível até os dias atuais.
Mas é importante destacar também que sua trajetória incluiu diversas dificuldades. A artista se casou aos 19 anos e logo engravidou, mas o relacionamento durou pouco tempo, tornando-a uma mãe solo.
A música teve que esperar um tempo e neste intervalo Elizeth trabalhou como dançarina de aluguel, buscando sustentar sua família.
Além disso, estamos falando de uma mulher que buscava se destacar no seu trabalho na década de 1940, quando era esperado que ela estivesse apenas cuidando da sua casa.
Assim, Elizeth com certeza enfrentou diversos obstáculos unicamente por ser mulher, mas conseguiu apoio de artistas sólidos que acreditavam em seu talento e incentivaram continuamente.
Em 1987, aos 67 anos, a artista estava viajando pelo Japão quando, durante uma consulta médica, recebeu o diagnóstico de câncer gástrico. Ela foi submetida a uma cirurgia e liberada em seguida, mas a doença não parou de persegui-la.
O câncer foi a causa da sua morte, três anos depois, em 1990. Ela foi velada no Teatro João Caetano, no Rio de Janeiro, mesmo lugar onde realizou uma performance histórica algumas décadas antes.
O fechamento do ciclo da vida de Elizeth foi acompanhado por milhares de fãs que fizeram questão de se despedir da artista.
Além de Elizeth Cardoso, existem outros cantores marcantes da bossa nova. Para os fãs do estilo, vale a pena explorar as músicas e a personalidade de cada artista ao se apropriar do ritmo.

Análise de Chega de Saudade, a música que originou a bossa nova
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