18 de Janeiro de 2025, às 12:00
Você já parou para prestar atenção na música É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos? A história da composição do clássico do cantor tem grande relação com um dos períodos mais marcantes da política brasileira.

A canção, lançada em 1971, faz referência à Ditadura Militar de forma implícita, já que os cantores da época precisavam transmitir suas opiniões por meio de metáforas, para fugir da censura.
Quer saber o significado por trás de É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos, e a sua história? Confira a seguir.
Você já se perguntou qual a história da música É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo? Erasmo Carlos lançou um clássico na década de 1970, que é lembrado até hoje como uma das suas principais músicas.
Mas, além de ter marcado sua carreira, a faixa também representa um importante relato histórico dos sentimentos de um dos períodos mais tristes da nossa história: a Ditadura Militar.
O contexto histórico de composição de É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo é a Ditadura Militar brasileira, mais especificamente um período denominado “Anos de Chumbo”.
A partir de 1970, o regime alcançou o ápice da popularidade com o milagre econômico. Mas também foi o momento em que os militares mais censuraram os meios de comunicação – incluindo a música – e torturaram seus opositores.
Para não ser censurado, Erasmo Carlos se opôs ao regime militar a partir da metáfora de um narrador que acaba de chegar de uma longa viagem, cheia de obstáculos. Ao longo dos versos, ele menciona cenas de horror e reforça a necessidade de mudança dessa realidade.
Assim, mesmo que não seja uma canção que se oponha explicitamente ao regime, É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo é considerada uma obra de resistência e crítica à ditadura.
Erasmo Carlos escreveu É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo em parceria com seu amigo de fé e irmão camarada, Roberto Carlos.
A faixa integra o disco Carlos, Erasmo, considerado um dos mais impactantes e sofisticados da carreira do cantor, com arranjos de Chiquinho de Moraes e Arthur Verocai.
Esse trabalho é uma espécie de “divisor de águas” e suas canções marcam uma nova fase de Erasmo Carlos, que havia completado 30 anos na época.
Depois de receber o apelido de “Tremendão” e arrasar o coração das garotas, ele aparece com letras mais maduras e reflexivas, que exploravam temas profundos como casamento, drogas, vida adulta e questões políticas.
De forma geral, É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo traz consigo um sentimento de urgência e necessidade de ação. De forma implícita, Erasmo Carlos canta sobre a indignação das pessoas diante da realidade brasileira da época – os horrores da Ditadura Militar.
Eu cheguei de muito longe
E a viagem foi tão longa
E na minha caminhada
Obstáculos na estrada
Mas enfim aqui estou
Na primeira estrofe, Erasmo Carlos assume a posição de um viajante, que acaba de chegar. Ao viajar por uma longa estrada, ele relata os obstáculos e as dificuldades presenciadas por ele.
Essas cenas podem ser interpretadas como os horrores provocados pelo regime militar. A censura das artes e dos meios de comunicação, a repressão contra a oposição… Sem muito esforço, conseguimos encontrar todos esses elementos dentro do verso “obstáculos na estrada”.
Mas estou envergonhado
Com as coisas que eu vi
Mas não vou ficar calado
No conforto, acomodado
Como tantos por aí
Diante de tudo que o viajante presenciou, ele se declara envergonhado e afirma que não vai ficar calado e acomodado. Foi assim que muitos brasileiros, ao tomarem ciência dos horrores da ditadura, se sentiram naquele período.
Ao saber das torturas, dos sequestros e dos assassinatos, esse viajante não quer ficar parado, como muitos que “fecham os olhos” para a realidade. Uma referência a todos que sabiam dos casos mais horríveis e não faziam nada para mudar essa situação.
É preciso dar um jeito, meu amigo
É preciso dar um jeito, meu amigo
Descansar não adianta
Quando a gente se levanta
Quanta coisa aconteceu
No refrão de É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, Erasmo Carlos expressa a sua vontade de agir diante dessa realidade atroz. A repetição desse verso evoca a urgência da busca por mudanças no Brasil.
Para dar mais ênfase a essa ideia, ele ainda relembra momentos em que a união e a força das pessoas que “se levantaram” contra o regime conseguiu promover mudanças.
As crianças são levadas
Pela mão de gente grande
Quem me trouxe até agora
Me deixou e foi embora
Como tantos por aí
No trecho acima, Erasmo Carlos canta sobre as crianças levadas pela mão de gente grande. Por um lado, essa pode ser uma referência à tortura e ao sequestro dos filhos de pessoas que lutaram contra a ditadura – mais uma cena lamentável e revoltante desse período da história brasileira.
Por outro lado, esses versos também podem se referir à manipulação política das novas gerações pelo regime autoritário. Uma espécie de alerta, para que os jovens não sejam alienados pela repressão.
Desde seu lançamento, É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo é uma letra profundamente reflexiva, que alerta sobre os perigos de um governo autoritário. É também um importante instrumento de luta e resistência contra esse tipo de regime.
Em 1971, apesar de ser vista pelo público como uma canção de resistência contra a Ditadura Militar, ela foi liberada pela censura. Assim, o público recebeu a mensagem do cantor e pôde se inspirar na luta por mudanças.
Mas não foi só durante o regime militar que a música foi usada como símbolo de resistência. Em 2024, ela foi incluída na trilha sonora do filme Ainda Estou Aqui.

O longa conta a história real de Eunice Paiva, viúva do político Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto pelos militares. Muito além do contexto histórico, a obra se comunica com o clássico de Erasmo, ao trazer a memória como importante instrumento de luta contra a repressão.
Outras obras audiovisuais que usaram É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo em suas trilhas sonoras foram a série Outer Banks, da Netflix, e a novela Amor de Mãe, da Rede Globo.
A letra de É Preciso Dar Um Jeito, Meu Amigo, de Erasmo Carlos, tem uma história de luta contra injustiças e um governo político repressor. Conheça agora outras canções que também fazem críticas sociais.



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