Biografia de Ney Matogrosso, uma das maiores vozes do Brasil

Conheça todos os detalhes da história de vida de Ney Matogrosso, um dos cantores mais icônicos e irreverentes da música brasileira.

Biografias · Por Ana Paula Marques

10 de Maio de 2025, às 12:00


A biografia de Ney Matogrosso é marcada por todo o talento e sucesso digno de um dos maiores intérpretes da história da música brasileira, dono de uma voz única e de performances que desafiaram padrões ao longo de décadas. 

Biografia de Ney Matogrosso
Créditos: Reprodução/Youtube

Com uma discografia recheada por clássicos atemporais, como Sangue Latino e Bandido Corazón, o cantor é um colecionador de prêmios e é conhecido tanto pela originalidade quanto por quebrar paradigmas sobre masculinidade e comportamento.

Prestes a ter sua história imortalizada no cinema, no longa Homem Com H, Ney sempre se manteve discreto fora dos palcos, mas, ao subir neles, transformou-se em um símbolo de transgressão e liberdade. E neste post você vai descobrir tudo sobre o artista. Vamos lá?

A biografia de Ney Matogrosso

A biografia de Ney Matogrosso começa no dia 1º de agosto de 1941, em Bela Vista, cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai, onde nasceu Ney de Souza Pereira.

Filho de militar, foi criado em um ambiente disciplinado e tradicional, tendo vivido uma infância marcada pela rigidez e pela constante mudança de cidades.

Desde pequeno, ele já demonstrava interesse pelas artes: cantava, desenhava e se interessava pela interpretação. Ele deu vazão a essa vocação aos 18 anos, quando decidiu sair de casa após assumir sua homossexualidade.

O começo tímido de uma carreira estelar

O primeiro destino de Ney foi Brasília, onde ele se instalou na casa de um primo e começou a trabalhar no laboratório de um hospital. Inicialmente, sua intenção era ingressar na Aeronáutica, mas o chamado artístico falou mais alto. 

Foi durante sua estadia na capital federal que ele teve o primeiro contato com o mundo da música. O artista participou de um festival universitário, experiência que reacendeu sua paixão pela arte e abriu caminho para o teatro.

Certo de que queria seguir o caminho artístico, Ney abandonou a carreira militar antes mesmo de começar e, em 1966, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a confeccionar e vender peças de artesanato em couro para se sustentar. 

Em 1970, ele foi contratado como iluminador na Sala Cecília Meireles, tradicional espaço de concertos no Rio, e passou a ter contato com músicos e artistas famosos, familiarizando-se com os bastidores do mundo dos espetáculos.

Essa fase ajudou Ney a desenvolver seu olhar artístico e sua sensibilidade para as artes cênicas. Essa capacidade mais tarde se tornaria marca registrada de suas performances no palco, repletas de teatralidade e expressividade.

O começo da caminhada com os Secos & Molhados

Transitando entre Rio, São Paulo e Brasília, sempre em busca de novas experiências, em 1971 aconteceu um encontro que resultaria em um novo capítulo na biografia de Ney Matogrosso: a aproximação com o produtor musical João Ricardo.

Ele estava em busca de um vocalista para um novo projeto musical — alguém com voz aguda e presença marcante — e percebeu que encontrou exatamente o que precisava ao conhecer Ney. 

Foi nessa época que ele adotou o nome artístico Ney Matogrosso, uma homenagem direta ao estado em que nasceu, e se juntou a João Ricardo e Gerson Conrad para liderar o grupo Secos & Molhados.

Com uma proposta musical que misturava rock, música brasileira, poesia e teatralidade, eles começaram a ensaiar e a desenvolver a estética que se tornaria marca registrada: maquiagem carregada, figurinos extravagantes e performances inesquecíveis.

Ascensão meteórica: a era de ouro dos Secos & Molhados

O primeiro álbum, Secos & Molhados I, chegou às lojas em 1973 e vendeu mais de 1 milhão de cópias, — número extraordinário para a época —, no embalo de músicas como Rosa de Hiroshima, O Vira e Sangue Latino.

Cada show do grupo era um verdadeiro espetáculo: Ney Matogrosso, maquiado e trajado de maneira ousada, dançava e encenava as músicas com uma intensidade que quebrava todos os padrões da música popular brasileira dos anos 1970. 

Além da estética provocadora, o conteúdo das músicas também tinha um forte viés político. Em plena ditadura militar, letras como Primavera nos Dentes e Assim Assado traziam críticas veladas à repressão e à censura vigentes.

Com o sucesso, vieram turnês e a gravação do álbum, Secos & Molhados II, lançado em 1974, que não teve o impacto comercial do primeiro disco, mas foi bem recebido pela crítica e trouxe faixas como Flores Astrais.

A separação do grupo e o começo da carreira solo

Apesar da rápida ascensão e da enorme popularidade dos Secos & Molhados, conflitos internos começaram a desgastar a relação entre os integrantes, como desentendimentos sobre os rumos artísticos e questões financeiras.

As brigas levaram à separação do grupo ainda em 1974, pouco depois do lançamento do segundo disco.

Ney, então, decidiu seguir carreira solo, com o lançamento de Água do Céu-Pássaro em 1975, um trabalho que foi considerado extravagante demais para a época e não alcançou  grandes números de vendas inicialmente. 

A consolidação como artista solo

O reconhecimento como artista solo veio em 1976, com o álbum Bandido, que trouxe Bandido Corazón, composta por Rita Lee especialmente para Ney, e consolidou Ney Matogrosso como um artista transgressor, em sintonia com a Tropicália e o glam rock.

Na sequência, ele ampliou sua experimentação com Pecado (1977), que apresentou releituras como Metamorfose Ambulante, e manteve um ritmo intenso de lançamentos: Feitiço (1978), Seu Tipo (1979), Sujeito Estranho (1980) e Ney Matogrosso (1981).

Somente entre as décadas de 1980 e 1990, Ney lançou nada menos que 12 álbuns, como Pois É (1983), Quem Não Vive Tem Medo da Morte (1988), Um Brasileiro (1996) e Olhos de Farol (1999).

Parcerias e prêmios na biografia de Ney Matogrosso

Ney Matogrosso também se dedicou a ricas colaborações ao longo de sua carreira. Ele foi diretor do espetáculo O Tempo Não Para, de Cazuza, e atuou em projetos ao lado de Simone e do grupo RPM, transitando com fluência entre estilos e gerações.

O cantor sempre foi simpático ao trabalho com outros artistas. Ele tem gravações com Raphael Rabello, Chico Buarque, gravou dois álbuns com releituras de Cartola, se aproximou de novas gerações ao gravar com Gaby Amarantos e Urias, e por aí vai.

Ele também passou a ser figura frequente em premiações importantes, como o Prêmio à Excelência Musical, da Latin Recording Academy (2014), e foi listado pela Rolling Stone como o terceiro maior cantor latino-americano de todos os tempos. 

Além disso, Ney também foi celebrado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) em São Paulo, que dedicou uma grande exposição para celebrar seus 50 anos de carreira.

A vida pessoal e romântica de Ney Matogrosso

Ney Matogrosso assumiu a homossexualidade publicamente em 1978, no auge da Ditadura Militar, e desafiou as normas impostas pela sociedade da época, simplesmente sendo ele mesmo, o que o tornou, de forma orgânica, um ícone da luta LGBTQ+.

Ao longo da vida, ele teve alguns relacionamentos importantes, embora sempre tenha sido discreto em relação à sua vida amorosa, como o romance vivido com um então desconhecido Cazuza, apesar da diferença de 22 anos entre os dois. 

Nos anos 1990, Ney viveu um curto namoro com um jovem chamado apenas de Zé, cujo sobrenome jamais foi revelado, pois ele pertencia a uma influente família da elite carioca. O relacionamento durou apenas três meses, já que o rapaz faleceu pouco tempo depois.

Outro relacionamento importante foi com Marco Maria, com quem Ney chegou a morar junto. Após a separação, Ney soube que Marco havia contraído HIV, o que trouxe reflexões profundas sobre a fragilidade da vida e a importância de afetos verdadeiros. 

Ativismo e militância de Ney Matogrosso

O respeito pela vida em todas as suas formas é uma constante na biografia de Ney Matogrosso, um defensor apaixonado do meio ambiente. 

Ele mantém uma área de preservação destinada aos macacos-leões-dourados, no Rio de Janeiro, e também é um ativista dos direitos indígenas. 

Além disso, em geral, ele sempre utilizou sua arte e sua voz para defender valores progressistas, sem se vincular diretamente a partidos ou movimentos organizados, fazendo da sua postura um instrumento de transformação.

Ney não apenas canta sobre liberdade; ele vive a liberdade — em sua arte, em sua vida pessoal e em seu compromisso com um mundo mais justo e plural.

Projetos recentes de Ney Matogrosso

Aos 83 anos, Ney Matogrosso continua se reinventando e surpreendendo o público com novos projetos, como o álbum Canções para o Novo Mundo (2024), que reafirma sua capacidade de se conectar com as novas gerações.

O cantor também está sendo homenageado no filme Homem com H (2025), que retrata a vida de Ney, interpretado pelo ator Jesuíta Barbosa.

Mesmo com mais de meio século de carreira, Ney Matogrosso se mantém em plena atividade, realizando shows em diferentes cidades do Brasil e participando ativamente da cena cultural nacional — para deleite de seus milhões de fãs.

Biografia de Ney Matogrosso: conheça as melhores frases do artista

Para quem deseja se aprofundar ainda mais na força poética e na biografia de Ney Matogrosso, vale a pena conhecer suas melhores frases. Com o post, você poderá mergulhar em toda a intensidade, liberdade e profunda sensibilidade de sua arte.

Frases: Ney Matogrosso

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