2 de Julho de 2022, às 12:00
Mr. Morale & The Big Steppers, novo álbum do Kendrick Lamar, foi lançado no começo de maio de 2022 e instantaneamente se tornou um marco na carreira do rapper, um dos mais aclamados da atualidade.
Quinto álbum da discografia de Lamar, o álbum mostra o artista mais introspectivo do que nunca, refletindo a respeito de sua família, sua masculinidade e seu legado para a música e a humanidade.

Ao longo de 18 faixas divididas em dois discos, com duração de quase 1h15, o músico convida o ouvinte a uma série de reflexões, quase como uma sessão de terapia dividida com o restante do mundo.
A estratégia intimista deu certo: logo na primeira semana após o lançamento, todas as músicas de Mr. Morale & The Big Steppers estavam no Hot 100 da Billboard.
A produção também chamou a atenção de veículos da mídia especializada, que foram uníssonos em celebrar o novo trabalho do rapper, com críticas positivas de The Guardian, Pitchfork e The Clash.
Que tal conhecer mais sobre o álbum, que entregou algumas das melhores músicas do Kendrick Lamar?
O novo álbum do Kendrick Lamar apresenta o rapper, nascido e criado em Compton, na periferia de Los Angeles, sob uma nova luz, trazendo-o quase como um amigo íntimo de cada ouvinte.
Em vez de temáticas comuns ao universo do rap, como mulheres, drogas e violência, Mr. Morale & The Big Steppers mostra ao público a intimidade do artista, incluindo seus medos e os dramas da relação em família.
Tudo como parte dos esforços de Lamar em revisitar até mesmo memórias traumáticas como estratégia de cura para seguir em frente após momentos de dificuldade, numa perene jornada para se tornar uma pessoa melhor.
O músico também toca em assuntos surpreendentemente ainda espinhentos em pleno século XXI, como a visão de parte da sociedade e da igreja na perpetuação da violência contra o público LGBTQIA+.
Para isso, Lamar conta a história de uma tia e uma prima que se descobriram transgênero e sofreram perseguição no cenário religioso por terem ousado “trocar o gênero antes que Bruce Jenner tivesse certeza”.
Auntie Diaries causou polêmica em diversos círculos por fazer uso de expressões racistas, homofóbicas e transfóbicas, embora em um contexto de crítica, na voz de interlocutores utilizados pelo rapper para criticar a LGBTfobia.
Mas talvez a passagem mais visceral de Mr. Morale & The Big Steppers tenha sido exposta a experiência da paternidade com seus dois filhos, que nasceram em plena pandemia, outro tema abordado com bastante segurança em N95, primeiro single do álbum.
Nas letras dessas faixas, Kendrick Lamar utiliza a Covid-19 para protestar contra a futilidade do capitalismo, da qual também se considera vítima, e explora a cultura do cancelamento e do ódio, recorrente nas redes sociais e em uma sociedade cada vez mais desumanizada.
O disco conta com nomes de peso na produção de cada música, incluindo Pharrell Williams, The Alchemist e Sounwave, além de Baby Keem, primo de Lamar, que traz um toque de pessoalidade à faixa Savior.
O rapper também investiu em parcerias com grandes nomes femininos do rap e do R&B, como Taylour Paige, Summer Walker e Beth Gibbons, vocalista do Portishead, numa tentativa de contrapor a masculinidade tóxica debatida em várias faixas, como Father Time.
Na música, o cantor e compositor lamenta a ausência de seu pai e as implicações da falta de uma figura paterna em sua vida, bem como a importância do descaso paterno na perpetuação de comportamentos tóxicos e violentos.
Uma das reflexões mais íntimas do álbum é feita em Mother I Sober, na qual Kendrick Lamar discorre sobre a relação com a mãe de seus filhos, Whitney Alford, de quem se separou por conta de seu vício em sexo, abordado pela primeira vez em sua discografia.
No fim das contas, Mr. Morale & The Big Steppers soa como uma grande reflexão feita pelo rapper sobre a vida que as pessoas (especialmente nas redes sociais) não são capazes de enxergar, no mito por trás do homem.
O cantor e compositor parece ter consciência de sua imagem de “deus do rap” para boa parcela do público, e renuncia a esse poder ao retratar sua própria simplicidade.
Confira algumas das faixas mais aclamadas pela crítica no novo álbum do Kendrick Lamar!
Um dos carros-chefe do novo álbum do Kendrick Lamar, We Cry Together conta uma das inflamadas discussões que o cantor teve com a ex-mulher, em uma canção intimista e envolvente sobre seus dramas pessoais, com sample de June, de Florence + The Machine.
O fardo de ser cobrado como um salvador está no cerne de Crown, em que um autocrítico Kendrick Lamar questiona se pode deixar de agradar a tudo e todos, perdendo seu status de unanimidade.
Father Time reflete sobre o lado sombrio da masculinidade. Sobrou até para Drake e Kanye West, cuja rixa é comentada por Lamar, que afirma que talvez não seja tão maturo quanto pensava ao descobrir que os antigos rivais fizeram as pazes.
Uma das músicas mais controversas do novo álbum do Kendrick Lamar, Auntie Diaries conta a história dos tios transgêneros do rapper, discorrendo sobre o papel da igreja na perpetuação da homofobia e afirmando ter escolhido “a humanidade em vez da religião”.
Em colaboração com a cantora Beth Gibbons, do Portishead, Mother I Sober toca em um tema delicado e traumático para Kendrick Lamar: os traumas de sua mãe com a violência sexual que sofreu no passado.
Mais atual do que nunca, o novo álbum do Kendrick Lamar não deixou de discorrer sobre a covid e o negacionismo antivacina: o tema é colocado sob uma lupa em N95 e outras faixas do disco, como Savior.
A primeira música do novo álbum do Kendrick Lamar, United In Grief, convida o ouvinte a conhecer um lado da vida do rapper que até então era desconhecido: os 1.855 dias que se passaram entre o último lançamento do músico e seu novo trabalho.
Faixa de encerramento de Mr. Morale & The Big Steppers, Mirror volta a comentar alguns temas abordados no álbum, com reflexões sobre a filha do rapper e a sensação de impotência por não conseguir ser o salvador de seu povo, mesmo com sua fortuna.
O novo álbum do Kendrick Lamar está cheio de letras fortes, intimistas e reveladoras, que ajudam a contar histórias importantes de um dos maiores nomes do rap mundial.
O domínio da arte da escrita, no entanto, não é exclusivo do artista nascido na icônica Compton: entre as principais características do rap estão a habilidade da arte escrita e o flow.
Por isso, entre no clima de Mr. Morale & The Big Steppers e confira as melhores frases de rappers americanos para compartilhar nas redes sociais!

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