15 de Maio de 2026, às 12:00
Se você ainda não sabe quem é NandaTsunami, provavelmente vai descobrir porque uma música dela vai aparecer nas suas redes sociais e não vai sair mais da cabeça.
A rapper paulista Fernanda Xavier Ferreira Santana construiu, em poucos anos, uma identidade artística que mistura rap, funk, espiritualidade e uma sinceridade desconcertante nas letras.

Ela acumula dezenas de milhões de plays nas plataformas, virou pauta na mídia especializada e foi homenageada por Ebony no WME Awards 2025. Vem conhecer tudo sobre NandaTsunami, a voz por trás de hits como P.I.T.T.Y. (Parecendo Uma Cafetina).
Para começar a entender quem é NandaTsunami, vale a pena conhecer suas origens. Fernanda Xavier Ferreira Santana nasceu em 5 de fevereiro de 2000 e cresceu no centro de São Paulo.
Ela adotou o nome artístico NandaTsunami a partir de um verso do funkeiro MC Daleste na música Angra dos Reis: “se eles tiram onda, eu tiro tsunami”.
Ela usava esse nome em um fã-clube no Twitter (atual X) anos atrás e, quando percebeu que precisava de um “vulgo” para sua persona artística, a escolha foi natural. É uma homenagem às suas raízes e à memória de um dos maiores ícones do funk paulista.
Diferente de muitos MCs que começaram em batalhas de rima, a entrada de Fernanda no jogo foi por outro caminho. Ela criava acessórios e correntes personalizadas para artistas como Ajuliacosta, frequentando as lojas da 25 de Março para garimpar materiais.
A virada para a música aconteceu na pandemia. Isolada em casa, Nanda começou a trabalhar com beats e encaixar frases, mas não foi um processo simples. Ela conta que não se via como rapper porque achava que precisava ter outra postura, digna de batalha de rima.
Seus gostos sempre foram plurais, do funk ao pop, e isso por um tempo a fez sentir que não pertencia a nenhum lugar, mas foi justamente isso que tornou seu som único.
A primeira música lançada foi Novinho Chora, que nasceu de um término conturbado. Ela escreveu não o que sentia, mas o que gostaria de estar sentindo, com a atitude e a confiança que ainda estava construindo.
O som de NandaTsunami transita entre trap, afrobeat, house e até elementos de música eletrônica e R&B. O funk, especialmente o “mandelão”, é a principal influência. Para ela, o ritmo tem inteligência estética e uma liberdade de expressão que o rap demora a abraçar.
A rapper cresceu ouvindo MC Daleste, MC Marcelly e Valesca Popozuda, enquanto dentro de casa a mãe colocava Joelma para tocar. Na adolescência, o rap internacional entrou pela janela, com nomes como SZA, Drake e A$AP Rocky. Cazuza e a MPB vieram depois.
O resultado é um som versátil, como mostra o álbum É Disso Que Eu Me Alimento, em que ela alterna momentos densos com composições dançantes e introspectivas.
Cada batida conversa com o que a letra e o sentimento estão pedindo, como ela mesma descreveu sobre a faixa Oi, Linda, que queria soar como uma noite quente de sexta-feira.
Há uma linha que atravessa toda a obra de NandaTsunami e conecta coisas geralmente separadas: sexualidade e espiritualidade, desejo e autoconhecimento, vulnerabilidade e força.
Nas letras dela, o corpo é linguagem e não um tabu nem provocação sem propósito. Falar sobre desejo é também falar sobre identidade, sobre entender o que é genuíno e o que é expectativa imposta.
Na abertura do EP Tsunami Season, por exemplo, o público é convidado a uma imersão que simula uma meditação guiada, provando que o rap dela também é um exercício de presença.
No clipe de Faço Acontecer, ela surge como uma espécie de feiticeira contemporânea, em uma estética que mostra como ela enxerga a feminilidade: poderosa, mágica, presente.
Esse olhar aparece também nas músicas mais cruas, como Pq Você Não Me Liga?, em que reflete sobre as motivações do antigo parceiro que a rejeitou, especulando se o rompimento teria a ver com sua aparência física, sua personalidade ou até mesmo a cor de sua pele.
Se você já ouviu falar quem é NandaTsunami, as chances são grandes de que foi por causa de P.I.T.T.Y (Parecendo Uma Cafetina). A música já passa de 25 milhões de reproduções nas plataformas e apresentou a rapper ao grande público.
A música surgiu como um contra-ataque direto a uma rima do MC Negão Original em Medley de Igaratá 3, onde ele falava em “devolver” a mulher para outro. Nanda pegou essa lógica de posse, virou do avesso e usou a ironia para rir da cara do machismo.
Musicalmente, a faixa é uma colagem certeira. Ela utiliza o sample icônico de P.I.M.P, do 50 Cent, para criar um paralelo entre a indústria fonográfica e o universo das cafetinas, sugerindo que o jogo do poder é muito mais complexo do que parece.
Para fechar o pacote, a sigla que dá título à música é um aceno carinhoso à cantora Pitty, ícone do rock nacional que Fernanda admira pela postura inabalável.
O resultado foi uma faixa com menos de três minutos que é ao mesmo tempo hit, manifesto e piada interna entre quem entende as referências.
Em 2024, NandaTsunami lançou o EP Tsunami Season, com sete faixas. Ela define o projeto como um momento de descoberta: não sabia se ficaria só no trap ou se iria pelo funk, e decidiu experimentar os dois ao mesmo tempo.
Nanda já tinha escrito faixas como 4 Horas e Novinho Chora, mas conta que foi no EP que ela começou a entender melhor o que queria dizer com a sua arte.
Em julho de 2025, veio o álbum de estreia: É Disso Que Eu Me Alimento, que nasceu durante um processo pessoal intenso: Nanda havia começado um diário, passado por relacionamentos difíceis e quis entender seus próprios padrões ao ser rejeitada.

A primeira faixa escrita foi Segredo e Feitiço, que apontou o caminho para o que o álbum se tornaria: uma narrativa que vai do caos à aceitação, do amor como carência ao amor como transformação.
O disco é um relato honesto sobre paixões, obsessões e a busca pelo amor-próprio, transitando pelo afrobeat e house. O projeto já acumula 3 milhões de reproduções nas plataformas, com destaque para faixas como Solta e Por Todo Amor Que Já Senti.
No cenário atual do rap brasileiro, NandaTsunami teve reconhecimento no WME Awards, premiação focada em mulheres da indústria musical.
Ela se tornou referência num momento em que o rap feminino brasileiro vive um dos seus melhores momentos, ao lado de Ebony, Duquesa, Tasha & Tracie e Ajuliacosta, entre outras artistas que estão redefinindo o que o gênero pode dizer e para quem.
Na vida pessoal, Nanda zela pela sua independência e opta por manter sua intimidade longe dos holofotes. Ela está se dedicando à turnê do disco É Disso Que Eu Me Alimento, com presença confirmada em festivais como o Sensacional, em 2026.
Agora que você descobriu quem é NandaTsunami, chegou a hora de descobrir que ela não está sozinha na nova geração do rap feminino brasileiro.
Conheça também as frases mais marcantes de Ebony, artista que, além de dedicar um prêmio a Nanda, constrói uma das discografias mais sólidas da cena. Vale muito a leitura!

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