23 de Janeiro de 2024, às 12:00
A caótica história de Smoke On The Water, do Deep Purple, ajuda a compreender por que a música é, até hoje, um dos maiores clássicos do rock mundial.
Não seria exagero afirmar que poucas músicas são tão instantaneamente reconhecidas quanto a faixa da banda britânica, lançada pela primeira vez no álbum Machine Head (1972).

O inconfundível riff de guitarra levou a canção à lista 100 Maiores Canções de Hard Rock do canal VH1, dando uma amostra de sua força e potência.
O que nem todo mundo sabe é que por trás desse grande hit do Deep Purple existe um relato vívido de um evento real que quase virou tragédia. Veja só!
A história por trás de Smoke On The Water, obra-prima do Deep Purple, coloca a canção em uma categoria própria de música, quase como uma verdadeira crônica musical de um evento marcante.
Tudo começou em 1971, enquanto a banda britânica trabalhava no álbum Machine Head, em Genebra, na Suíça. O evento é citado logo na primeira estrofe da canção.
We all came out to Montreux
Todos nós fomos para Montreux
On the Lake Geneva shoreline
Às margens do lago Genebra
To make records with a mobile
Para gravarmos um disco com um estúdio móvel
We didn’t have much time
Não tínhamos muito tempo
O Deep Purple estava reunido no Cassino de Montreux, onde gravava o novo disco e assistia à despedida da banda Frank Zappa & The Mothers of Invention.
Foi então que o local se tornou cenário de um incêndio devastador causado por um sinalizador. O resultado foi “fumaça sobre a água”, em referência ao incêndio às margens do lago Genebra, uma tradução direta do nome do hino do rock dos anos 1970.
A plateia já estava inquieta por problemas técnicos durante o show de Frank Zappa, quando o caos acabou se desencadeando após um sinalizador atingir o teto de madeira, como mostra a letra.
But some stupid with a flare gun
Mas algum idiota com um sinalizador
Burned the place to the ground
Reduziu o lugar a cinzas
O incêndio cresceu rapidamente e logo consumiu o cassino e praticamente todo o equipamento do Deep Purple. Contudo, diferentemente de outras tragédias, a retirada do público foi relativamente organizada e não houve registro de fatalidades.
Tudo indica que o sucesso na evacuação foi graças à intervenção rápida dos bombeiros e de Claude Nobs, o “Funky Claude” mencionado na letra.
They burned down the gambling house
Eles incendiaram o cassino
It died with an awful sound
A casa ruiu com um terrível estrondo
Funky & Claude was running in and out
Funky & Claude estava correndo pra todo lado
Pulling kids out the ground
Tirando as crianças do local
Enquanto o prédio do cassino ardia em chamas, os músicos de uma das melhores bandas de rock da história foram levados para um cassino vizinho, o Grand Hôtel de Territet, de onde podiam conferir o bizarro espetáculo da fumaça sobre a água.
O baixista Roger Glover chegou a descrever o incêndio como uma explosão de fogos de artifício, o que inspirou a composição da música.
Embora o incidente tenha atrasado a produção do álbum Machine Head, também permitiu à banda finalizar a nova faixa com calma. Assim, foi possível combinar o riff envolvente de Ritchie Blackmore com a voz poderosa de Ian Gillan para criar um hino atemporal.
Reza a lenda que o guitarrista Ritchie Blackmore teve uma inspiração inusitada para compor um dos riffs mais famosos da história da música. De acordo com o baixista Roger Glover, a intenção do colega era criar uma interpretação própria de uma versão invertida da Quinta Sinfonia, de Beethoven.
O guitarrista teria tocado a música clássica de trás para a frente, invertendo a ordem da composição. O riff foi, assim, composto em um estilo tradicionalmente medieval, em “quartas”.
Outra teoria aponta que o guitarrista, na verdade, teria plagiado o compositor brasileiro Carlinhos Lyra, mais especificamente em sua faixa Maria Moita.
O produtor Claude Nobs era um grande fã de bossa nova e teria apresentado a música brasileira aos amigos do Deep Purple, mas o fato nunca foi comprovado oficialmente.
O que se sabe é que a composição de Blackmore não aconteceu do dia para a noite. Ele supostamente brincou com o arranjo por muitos anos antes de chegar à versão final, que entraria na faixa Smoke On The Water.
Depois de serem impedidos de continuar gravando Machine Head no Cassino de Montreux, os músicos do Deep Purple se viram momentaneamente sem lugar para continuar o trabalho.
Inicialmente, improvisaram sessões de gravação em um trailer que funcionava como estúdio móvel dos Rolling Stones. Entretanto, não demorou até o local ser interditado pela polícia suíça, impossibilitando o prosseguimento dos trabalhos.
When it all was over
Quando tudo terminou
We had to find another place
Tivemos que procurar outro lugar
But Swiss time was running out
Mas o tempo estava se esgotando
It seemed that we would lose the race
Parecia que não conseguiríamos
O produtor musical Claude Nobs, então, sugeriu que o grupo se instalasse no Grand Hôtel de Territet, onde foi possível continuar os ensaios e gravações.
Foi ali que o grupo conheceu o novo riff de Blackmore e chegou à letra de Smoke On The Water, ainda com a vívida lembrança do incêndio que ocorreu dias antes.
Nenhum dos integrantes do Deep Purple acreditava que Smoke On The Water seria um grande hit, mas foram surpreendidos quando a faixa se tornou um clássico instantâneo do rock.
Aclamada tanto pelos fãs quanto pela mídia especializada, a faixa esteve entre as mais ouvidas nas paradas dos Estados Unidos e de países da América do Norte, Europa e África, além do próprio Reino Unido, terra-natal do grupo.
A faixa também chegou ao 11º lugar na lista de 100 Maiores Canções de Hard Rock do canal VH1.
Agora que você já conhece a história de Smoke On The Water, do Deep Purple, aproveite para mergulhar nas melhores composições do grupo britânico!
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