exibições de letras 8

Receita Controlada

Dado Ziul

Letra

    Mano, a desigualdade é aquele truque de ilusionista
    Te mostra o brilho da moeda, mas some com a pista
    Te faz pensar que tá no jogo, mas o tabuleiro é viciado
    Enquanto cê conta os trocado, os boy já dobraram o resultado

    O sistema é o cafetão, político é puta de luxo
    Se vende por merreca, mas fode o povo sem custo
    Receitam migalha, placebo pra dor crônica
    Enquanto a cúpula estoura champanhe e gargalha na crônica

    A cultura? Uma felina, selvagem e sem coleira
    Mas tentam enjaular, transformar em bicho de feira
    Querem embalar a revolta num frasco de calmante
    Tipo veneno disfarçado de suco de laranja num restaurante

    O saber era a cura, mas trancaram no cofre
    Quem tem o mapa é quem já nasce no berço de ouro e Rolex no pulso
    Enquanto isso, o povo tromba na própria sombra
    Querem ver nóis de joelho, mas a rima me mantém de pé na lombra

    A desigualdade é um câncer, que se espalha sem ser visto
    Cultura diluída, virou corante em suco misto
    Educação era remédio, mas virou droga controlada
    Manter mente pequena faz parte da estratégia planejada

    Cultura hoje é mina mercenária, só cola em quem tem grana
    Quem nasce no gueto rebola, mas não dança na trama
    O rap era facão cortando cerca de contenção
    Hoje querem transformar em trilha sonora de comercial de eleição

    Falam de progresso, mas quem tá na frente do cortejo?
    A cura da mente tem preço, só acessa quem tem pedigree e endereço
    Universidade virou miragem, diploma é quimera
    Enquanto isso, o jovem na favela é só estatística de espera

    O saber é tipo cadeia sem tranca visível
    Só entra e sai quem tem senha ou sobrenome nobre em arquivo
    Eles temem quem pensa, quem queima a lâmpada da mente
    Por isso o ensino é racionado, pra não alimentar a semente

    A política decide destino igual roleta viciada
    Transforma nosso futuro em cinza, igual cigarro na calçada
    O jogo já foi jogado antes da ficha cair na mesa
    E a banca sempre ganha, a quebrada sempre despesa

    A desigualdade é um câncer, que se espalha sem ser visto
    Cultura diluída, virou corante em suco misto
    Educação era remédio, mas virou droga controlada
    Manter mente pequena faz parte da estratégia planejada

    Racionalidade é produto de luxo, tem cupom fiscal
    Enquanto nóis se vira na raça, eles compram sabedoria no cartão black especial
    Se educação fosse beck, o baseado rodava no gueto
    Mas a tragada do conhecimento é só pra quem paga o preço perfeito

    O sistema envenena as mentes, ilude com faixas de cetim
    Enquanto nóis caminha no chão quente, sem meia, só sentindo o espinho no fim
    A desigualdade é ferida aberta, infectada e sem cura
    E a cultura é o álcool que arde, mas não fecha a fissura

    Somos paciente de um governo que nos quer doente
    Ignorância é a moeda que banca o lucro deles, latente
    Eu canto o que eles temem: Rima que abre a mente
    Minha arma é o verbo, minha munição é o consciente

    Educação é revolta, cultura é salvação
    Mas nas mãos deles, vira só manipulação
    Querem vender a arte como se fosse produto vencido
    Mas eu cuspo rima vencida no tempo, sem prazo, sem destino

    A desigualdade é um câncer, que se espalha sem ser visto
    Cultura diluída, virou corante em suco misto
    Educação era remédio, mas virou droga controlada
    Manter mente pequena faz parte da estratégia planejada

    Composição: Luiz Eduardo de Carvalho Costa. Essa informação está errada? Nos avise.

    Comentários

    Envie dúvidas, explicações e curiosidades sobre a letra

    0 / 500

    Faça parte  dessa comunidade 

    Tire dúvidas sobre idiomas, interaja com outros fãs de Dado Ziul e vá além da letra da música.

    Conheça o Letras Academy

    Enviar para a central de dúvidas?

    Dúvidas enviadas podem receber respostas de professores e alunos da plataforma.

    Fixe este conteúdo com a aula:

    0 / 500

    Opções de seleção