Quando

Dulce Quental

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O jeito como ele segura o cigarro fala mais dele do que palavras.
Fala a fumaça que embaça o meu olhar quando ele exala sem respirar.
Atravessando da sala pro quarto do quarto pra sala ele fala.
Quando derruba copos, abre janelas e desliga o ar, ele quer falar.

E fala como quando me ganhou da segunda vez que eu o vi.
Marinheira de primeira viagem, eu era quando embarquei sem sentir.
De mala poesia e sonhos demais pra caber na vida de alguém.
Como eu pude viajar sem saber pra onde até hoje eu não entendo bem.

Quando dei por mim,
Os nossos trapos já estavam juntinhos.
Quando dei por mim,
O neném já tinha o seu cantinho.
Quando dei por mim,
Um exército de regras de sobrevivência estava a caminho.
Quando dei por mim,
Nossas gavetas reviradas confundiam nossos destinos.

Misturando meus lenços de seda com suas gravatas e colarinhos.
Sapatos novos com tênis surrados na mesma prateleira.
Quando foi que eu nele colei minha sombra não sei, desapareceu.
Quando o desejo eu não escutei e o que eu tanto temia acontecer, aconteceu.

Quando dei por mim,
Os nossos trapos já estavam juntinhos.
Quando dei por mim,
O neném já tinha o seu cantinho.
Quando dei por mim,
Um exército de regras de sobrevivência estava a caminho.
Quando dei por mim,
Nossas gavetas reviradas confundiam nossos destinos.

Quando dei por mim, eu perguntava e respondia sem saber se era ele ou eu.
E o medo virou um fantasma da mulher que um dia o homem achou que conheceu.
Quando a dor e a culpa nos aprisionaram, nossos corpos transformaram em velhas ruínas.
Quando os sintomas se manifestaram falando mais de nós do que palavras finas.

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