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A Índia e o Traficante

Eduardo Dusek


Noite malandra
um luar de espelho
no meio da Terra
a índia colhe o brilho
Som de suor
cheirada musical
palmeira que se verga
em meio ao vendaval

Sentia macia floresta
Bolívia, montanha, seresta

Índia guajira
já colheu sua noite
volta para a tribo
meio injuriada
Uma fogueira numa encruzilhada
felina um olho de paixão danada

Era Leão, famoso traficante
um out-door, bandido elegante
que a levou para um apart-hotel
que tem em Cuiabá.

Índia na estrada
largou a tribo
comprou um vestido
aprendeu a atirar

Índia virada
alucinada pelo cara-pálida
do Pantanal

Índia guajira e o traficante
loucos de amor
trocavam o seu mel

Era um amor tipo 45
e tiroteios rasgando o vestido
em quartos de motel.

Explode o amor
Adios para o pudor
Guajira e o traficante
passam a escancarar

Rolam papéis
nos bares, nos bordéis
os dois de Bonnie and Clyde
assunto dos cordéis

Mayra pivete Amazônia
Esqueceu Tupã, a sem-vergonha

Dentro de um Cessna
bebendo champagne
Leão e seu bando
a fazem sua chefona

Índia fichada
"retrata" falada
a loto esperada
pelos Federais

Mas ela gosta de fotografia
e vira capa dos jornais do dia
enquanto espera
uma tonelada da pura alegria

Índia sujeira
foi dedurada por um sertanista
que era amigo seu

Índia traída
- "Mim tô passada" -
ela lamentava num mau português

A Índia deu um ganho
num Landau negro, chapa oficial
que era da Funai
passou batido pela fronteira
uma rajada de metralhadora...
Morta no Paraguai!!!

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Composição: Eduardo Dussek / Luiz Carlos Góes. Essa informação está errada? Nos avise.

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