
Entrudo
Elis Regina
Carnaval e saudade em “Entrudo” de Elis Regina
A música “Entrudo”, interpretada por Elis Regina, explora o contraste entre o desejo de celebração e a dor da ausência. O termo “entrudo” faz referência à antiga festividade portuguesa que antecedeu o Carnaval, conhecida por brincadeiras de rua e uma liberdade quase caótica. Ao trazer esse contexto, a canção reforça o contraste entre o ambiente festivo e o sentimento de vazio e saudade que atravessa a letra.
No trecho “Desce a estrada de rainha / Num passo do rancho, corre o manto / No medo e no espanto, morre minha alegria”, a figura da amada é apresentada como destaque de um cortejo carnavalesco, mas a alegria esperada se desfaz diante do medo e da tristeza. Elementos típicos do Carnaval, como “fantasia”, “avenida” e “estandartes”, aparecem na letra, mas são transformados em símbolos de sofrimento. O verso “E eu abro alas, jogo lanças / Serpentinas de cores feridas / E rompo estandartes na avenida em dor / Sem céu, sem luz, sem sol, sem cor” mostra como a festa se torna um cenário de dor: serpentinas, normalmente alegres, são descritas como “feridas”, e os estandartes, rompidos. O sangue que “não se cansa / Não se esquece de chamar” representa a persistência do desejo e da esperança, mesmo diante da tristeza. Assim, “Entrudo” utiliza a tradição carnavalesca para expressar a luta entre a vontade de festejar e a realidade de uma espera dolorosa, tornando-se um lamento sobre a ausência e a busca por reencontro.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.




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