
Wa Habibi
Fairuz
Dor e redenção em “Wa Habibi” na Sexta-feira Santa
Gravada por Fairuz no álbum “Good Friday - Eastern Sacred Songs”, “Wa Habibi” é um hino árabe-sírio da Sexta-feira Santa que dá voz a Maria diante da Paixão. O vocativo “يا حبيبي” (meu amado) tem dupla camada: é o carinho da mãe pelo filho e, ao mesmo tempo, a oração do fiel ao Redentor, fazendo do canto um lamento que também é súplica. A personificação da Justiça em “أي ذنب حمّل العدل بنيه؟” (que culpa a Justiça impôs a seus filhos?) ecoa a teologia do sacrifício vicário, confirmada em “أنت، أنت المفتدي” (tu és o Redentor). A repetição de “وا حبيبي” (ah, meu amado) — com o “wa” típico de lamento — molda o clima de pranto e devoção, e sublinha o pertencimento litúrgico da peça na tradição cristã do Levante.
A narrativa remete ao Getsêmani: “حين في البستان ليلاً سجد الفادي الإله” (quando, no jardim, à noite, prostrou-se o Redentor divino) aponta diretamente à vigília no Monte das Oliveiras. A criação participa do drama em “شجر الزيتون يبكي” (as oliveiras choram), enquanto “كانت الدنيا تصلي” (o mundo rezava) amplia a cena a uma oração cósmica. O verso “يا حبيبي كيف تمضي أترى ضاع الوفاء؟” (ó meu amado, como vais embora? Será que a lealdade se perdeu?) sugere a traição de Judas e o abandono dos discípulos, em contraste com a permanência amorosa de quem canta. “جراحاً ليس فيها من شفاء” (feridas sem cura) condensa o preço do sacrifício e o escândalo da cruz, que, paradoxalmente, se torna caminho de cura para o mundo.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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