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Viagem Passageira

Gal Costa

Reflexão sobre o tempo e desapego em “Viagem Passageira”

Em “Viagem Passageira”, Gal Costa interpreta uma composição de Gilberto Gil que explora a transitoriedade da vida e o desejo de superar as limitações impostas pelo tempo. A imagem da “pele do futuro finalmente imune ao corte, à lâmina do tempo” expressa o anseio por um estado em que o envelhecimento e as marcas da existência não tenham mais poder de ferir. Gil retoma aqui sua tradição de refletir sobre a efemeridade, mas destaca a busca por alívio diante das dores e incertezas do viver.

A letra utiliza a metáfora da viagem para ilustrar a passagem pela vida, como nos versos “mochila da viagem passageira” e “passagem nessa vida passageira”, reforçando que tudo é temporário, inclusive as experiências e esperanças. O trecho “não mais o esperma e o óvulo da morte / não mais a incerteza do binário” aponta para o desejo de ir além das dualidades e da mortalidade, imaginando um tempo sem opostos ou limites. Ao final, a canção propõe o desapego das certezas e das marcas do passado, evocando uma existência fluida, como “ondas soltas no oceano”, e convida à contemplação da vida como um ciclo contínuo de partidas e chegadas, sempre passageiras.

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