
Hino da Figa
Gilberto Gil
Reflexão sobre identidade e resistência em “Hino da Figa”
Em “Hino da Figa”, Gilberto Gil utiliza o símbolo da figa para abordar questões profundas sobre identidade, proteção e resistência no contexto brasileiro. A escolha desse gesto, tradicionalmente associado à sorte e afastamento do mal, ganha um significado político ao ironizar a ideia de que a miscigenação resolveria automaticamente as tensões raciais do país. O movimento Figa, criado por Gil e Jorge Mautner, reforça essa proposta de integração social e cultural, mas sem ignorar as contradições históricas e as desigualdades que ainda persistem.
Ao cantar “É como o gesto de um fidalgo branco / Que acolhe em seu leito uma negra escrava / E nela crava o seu cravo de afeto / E então se trava a batalha de amor”, Gil evidencia que a mistura de raças no Brasil foi marcada por relações de poder e violência, e não por harmonia. A letra convida a uma reflexão sobre o sonho de igualdade racial, mostrando que ele ainda precisa ser efetivamente conquistado. No trecho “O meu gesto é o fogo sagrado / Que não destrói mas é abrasador / Que faz a dor transmutar-se em alegria / Pelo seu mais agradável calor”, Gil sugere que a transformação social só ocorre quando a dor histórica é reconhecida e ressignificada. Ao afirmar “O meu gesto político, figa! / Nenhuma mágoa, desprezo ou temor”, ele propõe uma resistência positiva, que valoriza a diversidade e busca integração sem esquecer o passado.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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