
Encanteria
Gloria Bomfim
Sincretismo e ancestralidade em “Encanteria” de Gloria Bomfim
A música “Encanteria”, de Gloria Bomfim, explora a conexão entre o universo espiritual do candomblé e a tradição oral afro-brasileira, elementos marcantes na trajetória da artista. O verso “Eu sou da casa de mina / Ele é da casa real” faz referência às casas de culto afro-brasileiras: “casa de mina” está ligada ao Tambor de Mina, tradição religiosa do Maranhão, enquanto “casa real” pode indicar uma linhagem de orixás ou ancestralidade espiritual. Essa distinção ressalta o respeito às diferentes origens e hierarquias dentro das religiões de matriz africana.
A letra traz uma atmosfera mística, especialmente em “Eu desci da lua cheia / Pelo raio que alumia”, sugerindo a chegada de uma entidade espiritual à aldeia para realizar a “encanteria” — termo que remete tanto a encantamento quanto a práticas de proteção. A menção à “maninha, dona do fundo do mar” faz alusão direta a Iemanjá, orixá das águas, reforçando a presença dos orixás na narrativa. O trecho “Moço apaga essa candeia / Deixa tudo aqui no breu / Quero nada que clareia / Quem clareia aqui sou eu” destaca o poder da entidade, que dispensa a luz material porque sua própria presença ilumina e protege. Por fim, “Abro o ponto e ponto fecho / Deixo o resto com Jesus” sintetiza o sincretismo religioso brasileiro, mostrando respeito tanto às tradições afro quanto à fé cristã, e reforçando a ideia de que, após cumprir seu papel espiritual, a entidade se retira, deixando sua proteção para quem permanece.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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