
A Marcha do Povo Doido
Gonzaguinha
Crítica social e ironia em “A Marcha do Povo Doido” de Gonzaguinha
Em “A Marcha do Povo Doido”, Gonzaguinha faz uma crítica direta ao regime militar brasileiro ao inverter a lógica do clássico “Samba do Crioulo Doido”. Ele transfere o peso da loucura para o povo, ironizando a tendência do governo de responsabilizar a população por todos os problemas do país. Ao dizer “Aqui quem está doido é o povo, que parece ser o grande culpado pela crise de energia, pela caristia, pela polícia e pelo mistério de uma coisa chamada Anistia”, Gonzaguinha escancara o absurdo de culpar o cidadão comum por questões estruturais e decisões políticas tomadas pelas autoridades.
O tom sarcástico se intensifica com confissões exageradas, como “Matei a Dana de Teffé” e “Eu sou o dono da OPEP / Ou Pepsi, ou pop ou Coca”, mostrando que, se é para culpar o povo, ele assume até crimes e responsabilidades impossíveis, ridicularizando a narrativa oficial. A menção à anistia, que “não permitiu ao anistiado ser reintegrado a seu trabalho”, denuncia a hipocrisia da abertura política, já que muitos perseguidos continuavam marginalizados. O humor ácido aparece também na resignação diante da cadeia: “Pois tando em cana a minha pança / Vai ter um pouco de aveia / Ou feijão com areia”, sugerindo que, mesmo preso, a vida não piora tanto, pois fora das grades também há dificuldades. Assim, Gonzaguinha usa a sátira para criticar repressão, censura e manipulação do discurso oficial, tornando a música um protesto inteligente e acessível.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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