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Saudade e celebração das raízes em “Djam Bem”

Em “Djam Bem”, Hélio Batalha transforma a saudade de Cabo Verde em uma homenagem aos pequenos prazeres e tradições do cotidiano. A música foi composta enquanto o artista vivia na Suíça, o que explica a forte nostalgia presente em versos como “Gana lonba na kuskús di midju, leti baka frésku, ui” (Vontade de comer cuscuz de milho, leite de vaca fresco, ui) e “Panha iasi na suku nu para na Somada sédu, ui” (Pegar inhame no mercado e parar na praça de Somada, ui). Nessas passagens, ele relembra comidas típicas e momentos simples que sente falta estando longe de casa.

O refrão, com frases como “Fla mama ma dja N txiga” e “Fla mama ma dja N ben” (Diga à mamãe que já cheguei / Diga à mamãe que já vim), reforça o sentimento de retorno e alívio, mostrando que avisar à mãe é o símbolo máximo de estar seguro e feliz de volta ao lar. Hélio Batalha também cita lugares emblemáticos como Tarrafal, Mindelo e Fogo, demonstrando que o apego vai além da família, abrangendo a terra natal, os amigos e a cultura. Ao mencionar pratos como moreia e cuscuz de milho, e experiências como “toma dôs kanéka manekon” (beber caneca de manekon), o artista valoriza as raízes e a identidade cabo-verdiana, tornando a música um retrato afetivo de quem vive longe, mas nunca se desconecta de suas origens.


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