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Poema Ofò

Irma Ferreira

Àwa oṣorò ilè wa òo
Àwa oṣorò ilè wa òo
Ẹ̀sìn kan ọpẹ́, o yè
Ẹ̀sìn kan ọpẹ́ ka wa máa ṣorò

Falo sobre minha presença aqui
No Ayê
Abra meu caminho
Laroyê

No conselho das mais velhas
Atravesso o rio da vida
E se Oxum me permite
Quem ousa não me autorizar?

Yèyé omo ẹja
Toma conta de mim
Toma conta das suas filhas
Me ampara no desespero
E me energiza na alegria

É uma tempestade!
Um rompante de búfalos
Que amassa a terra onde cheguei
Que pisa minhas dores e depois, de leve
Me deixa voar como uma borboleta

Me corte
E deixe jorrar tudo o que não preciso carregar
Meu pai, você sabe

Se em meu passado eu fui rainha
Eu fui rei
Eu fui guerreira
Sim! Oyó me pertence
E, sim!
À sociedade Elekô pertenço também
Sim. Isso aqui me pertence!

A Kalunga Grande não me matou
O Banzo não me apagou
Nosso obi alafiô
Já sei quem é você, opressor

E aviso
Vou querer tudo o que é meu

Axé

Composição: Everton Neves e Irma Ferreira / Tradução Rodrigo Peniche. Essa informação está errada? Nos avise.
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