Poema Ofò
Irma Ferreira
Identidade e ancestralidade em "Poema Ofò" de Irma Ferreira
"Poema Ofò", de Irma Ferreira, destaca-se pela forma como a artista utiliza referências do candomblé e da ancestralidade africana para afirmar identidade, resistência e pertencimento. Logo no início, a saudação "Laroyê" invoca Exu, orixá mensageiro e guardião dos caminhos, pedindo abertura e proteção para a jornada. A menção a Oxum, com "Yèyé omo ẹja", reforça o pedido de cuidado e amparo, especialmente diante dos desafios representados pelo "rio da vida" e pela tempestade que "amassa a terra" e "pisa minhas dores". Esses elementos evocam não só a força dos orixás, mas também simbolizam a travessia histórica e espiritual do povo negro no Brasil, marcada por sofrimento, superação e renovação.
A letra traz um tom de afirmação e orgulho ao reivindicar títulos e pertencimentos: "Se em meu passado eu fui rainha, eu fui rei, eu fui guerreira". Ao citar Oyó e a sociedade Elekô, Irma Ferreira se conecta a linhagens reais e tradições africanas, reafirmando sua herança e legitimidade. A referência à "Kalunga Grande" (o mar, símbolo da travessia atlântica dos escravizados) e ao "Banzo" (tristeza profunda dos africanos escravizados) mostra que, apesar das dores históricas, a identidade e a força ancestral permanecem vivas. O verso final, "Vou querer tudo o que é meu", funciona como um manifesto de retomada de direitos, dignidade e axé, sintetizando a atmosfera de resistência, orgulho e esperança que atravessa toda a canção.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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