
Leonor
Itamar Assumpção
Peregrinação artística em “Leonor” e a indústria
Em “Leonor”, Itamar Assumpção encena com humor ácido a via-crúcis do artista independente. A sequência de imagens religiosas — “andor”, “São Benedito”, “bairro do Calvário” — não é enfeite: marca o percurso de sacrifício de quem recusa a lógica da máquina fonográfica. Quando ele solta “mas não sou Roberto Carlos”, contrapõe sua rota da Vanguarda Paulista ao modelo do estrelato, transformando a penúria em gesto estético e político. Não é só uma pose: é a afirmação de um modo de fazer que assume a escassez como matéria de canção.
A narrativa é direta. Ele corta o plano do casamento — “Devagar com esse andor, Leonor / Casamento é muito caro” — e lista a precariedade com graça e precisão: “meu cachê é um horror”, “não sobra nem pro cigarro”, “não tenho nem gravador”. O cotidiano é de feijão com arroz dividido, bicos (“quando não falta trabalho”), moradia de favor e um inventário irônico de bens mínimos: “gibis do Tarzan”, “quatro jogos de baralho”, “uma colcha de retalhos”. Ao dizer “Viver somente de amor... é tão lindo quanto precário”, desmonta a romantização da arte sem sustento, enquanto “bairro do Calvário” reforça a ideia de sacrifício contínuo. No fim, até o que resta vai a penhor — e o que não foi, “foi pra casa do Carvalho”, trocadilho e eufemismo que fecham a crítica com riso amargo. É a mistura típica de ironia e observação social em Itamar: falar “mais de flor que dor”, sem esconder a dureza.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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