
Palhaços e Reis
Ivan Lins
Carnaval como refúgio e crítica em “Palhaços e Reis”
A música “Palhaços e Reis”, de Ivan Lins, explora o Carnaval como um breve escape das dificuldades do cotidiano, mas também destaca o quanto essa alegria é passageira. O contraste entre "vestir a fantasia" após o fim da festa e "rasgar a fantasia" quando chega fevereiro inverte a ideia tradicional do Carnaval: aqui, a fantasia serve para suportar a dureza da vida real, não apenas para celebrar. Esse olhar se conecta ao contexto histórico do lançamento da canção, durante o regime militar, período em que a música popular brasileira recorria a metáforas carnavalescas para criticar a repressão e a falta de liberdade. O MPB-4, primeiro grupo a gravar a música, era conhecido justamente por esse tipo de abordagem crítica.
A letra traz um tom melancólico, especialmente nos versos “Me dói, me dá pena / Saber o que a vida nos faz / Destrói, desacata / Maldiz e maltrata / O ano inteiro”, ressaltando como a vida fora do Carnaval é dura e opressora. O Carnaval aparece, então, como um momento de libertação, quando o sujeito pode finalmente “pular, ser eu, cantar, sorrir” e até “morrer dentro da folia” – expressão que pode ser entendida tanto como entrega total à festa quanto como uma pausa temporária nas dores da existência. Assim, “Palhaços e Reis” usa o simbolismo do Carnaval para refletir sobre a transitoriedade da felicidade e a necessidade de resistência diante das adversidades, mantendo viva a tradição da música brasileira de usar a folia como crítica social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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