
Quaresma
Ivan Lins
Rituais e crítica social em "Quaresma" de Ivan Lins
Em "Quaresma", Ivan Lins retrata a transição do Carnaval para o período de penitência, destacando como a alegria passageira da festa cede espaço a um clima de repressão e introspecção. O verso “Acabou toda essa brincadeira / Não há jeito de ser diferente / Como sempre chegou quarta-feira / E a praça não é mais da gente” mostra de forma clara a mudança brusca entre a liberdade carnavalesca e o início da Quaresma, quando a vida cotidiana volta a ser marcada por regras e restrições.
A letra também faz uso de figuras do folclore brasileiro, como “fantasmas, bruxas, lobisomem” e “o saci”, para criar uma atmosfera de medo e superstição que acompanha esse período. O refrão “Tudo se repete, oh, maninha, como antigamente / E o diabo gosta, oh, maninha, arrepia a gente” reforça a ideia de que esses rituais se repetem ano após ano, muitas vezes sem reflexão, gerando desconforto coletivo. A referência ao ritual de queimar o boneco de Judas, em “É o malho, é o fogo, a fogueira / É o povo na pele de judas”, evidencia como a comunidade canaliza suas tensões em atos simbólicos de violência. Ao citar “igrejas de portas trancadas” e “pessoas de boca fechada”, Ivan Lins critica a religiosidade formal e a hipocrisia social, sugerindo que o silêncio e o jejum não promovem mudanças reais. Assim, "Quaresma" mistura elementos do folclore, religião e cultura popular para refletir sobre a repetição de comportamentos coletivos e a dificuldade de transformação social.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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