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Vida Baguala

João Luiz Corrêa

Letra

    Nas bailantas do Rio Grande
    Sempre vou disposto a tudo
    Boto freio nos valente
    Relincho igual um cuiudo
    Pois me criei deste jeito
    E nem morrendo eu não mudo!

    Não trago medo da morte
    Pois tenho sangue charrua
    A minha raça nos versos
    Que canto se perpetua
    Clareando a alma gaúcha
    Com brilhos de Sol e Lua

    As noites de tempestade
    Pra mim são noites serenas
    E a riqueza que eu possuo
    É o amor desta morena
    E as fronteiras que conheço
    Arrombo nas minhas chilenas
    E as fronteiras que eu conheço
    Arrombo nas minhas chilenas

    Eu sou igual a um potro xucro
    Ninguém me bota bocal
    Nasci na pampa reúna
    Num dia de temporal
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual

    Se entrar num jogo de osso
    Não atiro a tava forte
    Pois meu braço é caborteiro
    Ventena igual vento norte
    Sempre larga bem o osso
    Nas carpeteadas da sorte

    Se for nas quarenta carta
    Conheço bem a manobra
    Os meus trinta e um de espada
    Não são florzita de abóbra
    Pois no truco eu sou nojento
    Quando meto, uma me sobra!
    Pois no truco eu sou nojento
    Quando meto, uma me sobra!

    Eu sou igual a um potro xucro
    Ninguém me bota bocal
    Nasci na pampa reúna
    Num dia de temporal
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual

    Não sou pataca mas tenho
    O lombo liso e sem marca
    E se entrar numa peleia
    Nem satanás me ataca
    Que eu cerro as guampas do maula
    E pitoqueio com a faca!

    Nos rodeios desta vida
    Cimbrando a cana do braço
    Meu laço de couro cru
    Às vez se espicha no espaço
    Deixa o velhaco berrando
    Dando coice e manotaço
    Deixa o velhaco berrando
    Dando coice e manotaço

    Eu sou igual a um potro xucro
    Ninguém me bota bocal
    Nasci na pampa reúna
    Num dia de temporal
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual
    E vivo esporeando a vida
    Que é igual a um potro bagual

    Composição: João Luiz Corrêa / João Sampaio / Silvestre Araujo. Essa informação está errada? Nos avise.

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