Não Podemo Se Entrega Pros Home

Joca Martins


O gaúcho desde piá vai aprendendo
A ser valente, não ter medo, ter coragem
Em manotaços do tempo e em bochinchos
Retempera e moldura sua imagem

Não podemo se entrega pros home
De jeito nenhum, amigo e companheiro
Não tá morto que luta, quem peleia
Pois lutar é a marca do campeiro

Com lança, cavalo e no peitaço
Foi implantada a fronteira deste chão
Toscas cruzes solitárias nas coxilhas
A relembrar a valentia de tanto irmão

E apesar dos bons cavalos e dos arreios
De façanhas, garruchas, carreiradas
A lo largo o tempo foi passando
Plantando novo rumo em suas pousadas

Vieram cercas, porteiras, aramados
Veio o trator com seu ronco matraqueiro
E no tranco sem fim da evolução
Transformou a paisagem dos potreiros

E ao contemplar o agora de seus campo
O lugar onde seu porte ainda fulgura
O velho taura dá de rédeas no seu eu
E esporeia o futuro com bravura

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Composição: Francisco Alves / Francisco Scherer / Humberto Zanatta. Essa informação está errada? Nos avise.
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