Milonga de Manuel Flores
Jorge Luis Borges
A aceitação da morte em “Milonga de Manuel Flores”
Em “Milonga de Manuel Flores”, Jorge Luis Borges aborda a morte como parte natural do cotidiano humano. O verso “Morir es una costumbre que sabe tener la gente” (“Morrer é um costume que as pessoas sabem ter”) expressa uma aceitação resignada do fim da vida, tratando-o como algo habitual, não como um acontecimento extraordinário. Ao escolher a milonga, um gênero musical tradicional do Rio da Prata, Borges reforça essa ideia de cotidiano e tradição, já que a milonga está ligada à cultura popular e traz uma musicalidade sóbria, sem ser fatalista.
O poema também traz uma reflexão filosófica sobre o ciclo da vida e da morte, especialmente ao citar Merlim: “Lo dijo el sabio Merlín / Morir es haber nacido” (“O sábio Merlim disse / Morrer é ter nascido”). Essa referência ao mago lendário sugere que morte e nascimento são inseparáveis, reforçando a visão de Borges sobre a existência como um ciclo natural. Apesar dessa aceitação racional, há uma melancolia discreta nos versos em que Manuel Flores observa suas próprias mãos e veias com estranheza, sentindo dificuldade em se despedir da vida, “tan dulce y tan conocida” (“tão doce e tão conhecida”). Assim, a música equilibra resignação e ternura, mostrando que, mesmo diante do destino inevitável, permanece o apego à experiência vivida.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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