
Nobody But You
Lou Reed
“Nobody But You” E a fragilidade oculta de Warhol pós-tiro
O “ninguém” do título é um trocadilho cruel: significa tanto “só você” quanto “um Zé-ninguém”. Em “Nobody But You”, do projeto “Songs for Drella” de Lou Reed e John Cale, a voz encena Andy Warhol pós-tiro: frágil, carente e sedenta de validação. O contraste entre a persona pública — "Party Andy's what the papers say" (Os jornais o chamam de "Party Andy"), o homem que paga o jantar — e o vazio íntimo aparece quando admite: "I really care a lot / Although I look like I do not" (Eu me importo muito / Embora pareça que não). O refrão alterna "Nobody but you" (Ninguém além de você) e "a nobody like you" (um Zé-ninguém como você), desmontando o orgulho: exclusividade e humilhação ao mesmo tempo. A prontidão para agradar e se submeter — "Won't you decorate my house / I'll sit there quiet as a mouse" (Você não quer decorar minha casa / Vou ficar sentado quieto como um rato); "Won't you put me in my proper place" (Você não quer me colocar no meu devido lugar) — expõe baixa autoestima e dependência, coerentes com leituras que veem solidão e busca de aceitação por trás do tom blasé.
A ferida biográfica é literal: "Since I was shot / The bullet split my spleen and lung" (Desde que fui baleado / A bala dividiu meu baço e pulmão). Daí o apego que cresce: "Since I got shot, there's nobody but you" (Desde que fui baleado, não há ninguém além de você), como se o trauma o acorrentasse a um “ninguém” que oferece controle ou afeto mínimo. As ironias se acumulam: "I'd like to wind you up and paint your clock" (Eu gostaria de te dar corda e pintar seu relógio) sugere sexo e controle; "This is no movie I'd ask to be in" (Este não é um filme no qual eu gostaria de estar) dialoga com o Warhol cineasta por trás das câmeras; "Sundays I pray a lot" (Nos domingos, eu rezo muito) lembra sua religiosidade privada. As inseguranças físicas — "I wish I had a stronger chin / My nose was thin" (Queria ter um queixo mais forte / Que meu nariz fosse fino) — culminam na auto-humilhação: "I'll hold your hand and slap my face" (Vou segurar sua mão e dar um tapa no meu rosto). No fim, o paradoxo se cristaliza: por fora, “Party Andy”; por dentro, ossos estilhaçados e a confissão de que sua vida foi povoada por "nobodies like you" (Zés-ninguém como você).
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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