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La maldad que perdura

Luis H. Rocha

Letra

A maldade que persiste

La maldad que perdura

Uma dor nos torce a forma de verUna pena nos tuerce la forma de ver
Esse lodo infame que chamam de históriaEste lodo infame que llaman historia
Sempre a mesma maldade repartindo poderSiempre la misma maldad repartiendo poder
Apagando a marteladas qualquer memóriaBorrando a martillazos cualquier memoria
A vida se ensaia com o proscritoLa vida se ensaña con el proscrito
Não há lei sagrada nem chão sem fomeNo hay ley sagrada ni suelo sin hambre
Se até na Bíblia já estava escritoSi hasta en la Biblia ya estaba escrito
Caim matou o irmão, e correu o sangueCaín mató al hermano, y corrió la sangre

Se escreve com sangue a cruel humanidadeSe escribe con sangre la cruel humanidad
Entre tanta malícia sem perdão nem piedadeEntre tanta malicia sin perdón ni piedad
O que hoje é vítima só na sua dorEl que hoy es víctima solo en su dolor
Amanhã é algoz, estreando o terrorMañana es verdugo, estrenando el horror
Aquele que no circo tremia diante dos romanosEl que en el circo tembló ante los romanos
Cruzou até esta América Bíblia na vozCruzó hasta esta América Biblia en la voz
E moeram entre os ferros a seus irmãosY molió entre los hierros a sus hermanos
Com o mesmo ódio, e o nome de DeusCon el mismo odio, y el nombre de Dios

Há horrores semeados em toda geografiaHay horrores sembrados en toda geografía
Mas há um só que custa nomearPero hay uno solo que cuesta nombrar
O sangue charrua selvagem e vencidoLa sangre charrúa salvaje y vencida
Que seus próprios amigos mandaram apagarQue sus propios amigos mandaron borrar
No peito do homem se mordem dois lobosEn el pecho del hombre se muerden dos lobos
Um busca o abraço, o outro matarUno busca el abrazo el otro matar
Não é instinto cego nem culpa do destinoNo es instinto ciego ni culpa del destino
O homem decide a qual alimentarEl hombre decide a cuál alimentar

A maldade que persiste cravada no homemLa maldad que perdura clavada en el hombre
Em Salsipuedes mil oitocentos e trinta e umEn Salsipuedes mil ochocientos treinta y uno
Ou em dois mil e vinte e cinco caminho tortoO en el dos mil veinticinco camino torcido
Muda a paisagem, mas não o nomeCambia el paisaje, pero no el nombre
É Gaza, é o Pampa, é o mesmo horrorEs Gaza es el Pampa es el mismo horror
Deserto de sangue sob falsa doutrinaDesierto de sangre bajo falsa doctrina
A morte não entende de pátria nem bandeiraLa muerte no entiende de patria ni bandera
No peito do homem é a maldade que dominaEn el pecho del hombre es la maldad la que domina


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