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Se Nosso Nome Fosse Um Verbo (Canibalismo Como Forma de Amor)

Lupe de Lupe

LetraSignificado

    Eu agradeço a oportunidade
    O privilégio de poder falar e ser ouvido
    Nós somos feitos de um corte diferente
    O contato do meu corpo lastimável
    Com seu dorso inignorável
    Me provocaram a memória de uma constelação
    A memória de uma melodia
    Ao ouvir nossa música eu chorei
    Eu chorei porque te amei
    Ou eu chorei porque te fiz mal
    A dor a gente sente na carne, na carne, na carne
    Fazer o que se o coração bombeia sangue
    E o amor consome

    A mudança nunca é bela
    Como alguém tão linda assim
    Foi se apaixonar por um homem feito eu?
    Deve ser porque Deus nos fez assim
    Difícil de gostar, mas tão fácil de amar
    Não sou de acreditar, mas eu pensei
    Do porquê pra eu ter nascido assim, falando assim
    Imagino que alguma parte de um erro é sempre um acerto
    O contato do meu corpo duro com o seu molhado
    O melhor sexo é o aguardado?
    Ou é o que vem feito um trovão inesperado?

    Mas devo abrir meu coração
    Todo amor é feito pra acabar
    Está escrito nos livros, nas estrelas e no mar
    Mas lutar contra todo o fim é a nossa sina
    Se o nosso nome fosse um verbo

    Seu amor é uma grande mesa
    Onde eu encontro tudo
    A carne, as roupas, os livros e as plantas
    O homem quando ama trabalha melhor
    Trata os outros melhor, não quer mal a ninguém
    Pra quem já tentou varrer a areia da praia
    O que é mais um dia se sentindo um merda
    Toda vez que eu te via eu ficava com a barriga embrulhada
    Como se tivesse algo não dito, algo não resolvido
    O contato do meu corpo quente com o seu corpo frio
    Me provocaram a memória de um arrependimento
    A memória de uma casa
    A harmonia nos objetos
    Os cheiros tão reais
    A passagem do tempo

    Mas devo abrir meu coração
    Todo amor é feito pra acabar
    Está escrito nos livros, nas estrelas e no mar
    Mas lutar contra todo o fim é a nossa sina
    Se o nosso nome fosse um verbo

    Se isolar não é uma forma de se descobrir
    É apenas uma forma conveniente de fuga
    Nós somos feitos de um corte diferente
    O contato da sua pele com a minha pele me lembrou
    Das nossas lutas, de tudo que passamos até chegar aqui
    Eles querem a nossa carne, mas a nossa carne só pertence a gente
    Os sentimentos não são esquecidos, eles só se perdem por aí
    Deixam seus rastros, suas memórias
    Suas cicatrizes são sentidas eternamente
    Até quando não lembramos exatamente
    De onde veio esse sentimento que sinto agora?
    Eu sinto tudo, tudo nessa melodia
    Até que se faz completa a música
    Até que se faz completa a extensão do tempo que vivemos
    O tempo grita, a gente grita, a gente grita, a gente grita, a gente grita

    Abri seu ventre, sua boca, suas pernas e seus seios
    Abri seus olhos, seu pescoço, suas mãos e seus cabelos
    Entrei naquilo que não é seu e que não é meu
    Consumi seu corpo e o nosso amor
    No momento que se sente exausto e forte
    Sem nenhum medo, sem nenhum pudor
    Vira cheiro o que antes era fedor
    Vira amor o que antes era horror
    Tudo é movimento
    O ritmo carnal cuja proa irrompe a imagem de um barco
    Em uma enseada de infinitas bocas
    Recebendo com prazer o calor de um corpo nu que era um espelho
    O gozo que se exprime num sorriso
    No que podemos chamar de alegria
    Era um sangue que jorrava nostalgia

    Toquei onde é mais profundo, no fundo do interior
    O princípio é o que move
    O princípio da carne vai saber
    Um exercício simultâneo de corpos
    Que indica uma nova separação
    A finalidade é o que move
    A fim da carne vai saber

    A carne faz o homem suspirar
    A carne faz o homem soluçar
    A carne faz o homem explodir
    A carne faz o homem tremer as pernas
    A carne faz do homem um pedaço de fome
    A carne faz do homem um menino
    A carne faz o homem se humilhar
    A carne faz o homem sorrir, a carne faz o homem chorar
    A carne faz do homem um cachorro
    A carne faz o homem tão forte quanto um lobo
    A carne faz o homem latir
    A carne faz o homem uivar
    Auuuuuuu

    A carne, a carne, a carne, a carne, a carne
    Se nosso nome fosse um verbo seria amar

    Composição: Vitor Brauer. Essa informação está errada? Nos avise.

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