
Cálice
Maria Bethânia
O trocadilho e a resistência em "Cálice" de Maria Bethânia
O trocadilho entre "cálice" e "cale-se" é um dos elementos mais marcantes e subversivos da música, funcionando como uma denúncia direta à censura imposta pelo regime militar brasileiro. Ao repetir "Pai, afasta de mim esse cálice / De vinho tinto de sangue", a letra faz referência à oração de Jesus no Getsêmani, mas aqui o sofrimento é coletivo, imposto pela repressão política. O "vinho tinto de sangue" simboliza a violência e o sacrifício de vidas durante a ditadura.
A canção utiliza metáforas para retratar a opressão e o silenciamento, como em "Mesmo calada a boca, resta o peito / Silêncio na cidade não se escuta", mostrando que, apesar da censura, a angústia e a resistência persistem. O verso "Quero lançar um grito desumano / Que é uma maneira de ser escutado" expressa o desejo de romper o silêncio imposto. Referências como "cheirar fumaça de óleo diesel" e "me embriagar até que alguém me esqueça" aludem ao assassinato de Stuart Angel Jones, militante morto sob tortura, reforçando o tom de denúncia e memória das vítimas do regime.
A interpretação de Maria Bethânia, especialmente em momentos políticos recentes, mantém a canção atual e reafirma seu papel como símbolo de resistência. Ao cantar "Cálice" em contextos de luta democrática, Bethânia reforça a mensagem de que a repressão e o silenciamento ainda são temas relevantes, tornando a música um hino atemporal contra a opressão.
O significado desta letra foi gerado automaticamente.



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