
Vale do Silício
Matheus de Bezerra
Deixa esse espelho no bolso
Tire o Sol da gaveta
Lave o rosto com a rua
Redesenhe as pessoas
Tome um banho no espaço sideral, se der tempo
Jogue fora os ponteiros
É o relógio da moda
Pinte um céu no inferno
Dance na rua do hospício
E venda o desmoderno pro vale do silício
Responda os seus trovões com fogos de artifício
Responda os seus trovões com fogos de artifício
Refaça cicatrizes antigas
Dessa vez em outras partes do corpo
Como quem mostra a dor, que é possível beijá-la de novo
Que é possível sentí-la mais forte, consequentemente ser mais forte
Consequentemente ser mais franco
Modifique o sentido do mundo
Bote cordas no lugar dos fios
Abra novas janelas, com paisagens que não sejam adesivos
Crie a menor das casas, sob o alto do maior edifício
E corra, e venda o desmoderno pro vale do silício
Mas corra, e venda o desmoderno pro vale do silício
Responda os seus trovões com fogos de artifício




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