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Letra

    Nos teus galpões de fogo grande e silêncios
    Nas tuas palavras de silêncios pelas horas
    E os teus idiomas, teus olhares e teus vultos
    Que emalam ponchos, tomam mate, calçam esporas

    Quantos olhares pelas formas da manhãs
    Despem encontros, pelas horas de um espaço
    E esperam o tempo dos buçais nas mãos canhotas
    E empurram sonhos contra os tentos de algum laço

    Que tantas vezes foi a luz de alguma armada
    Sorrindo viva, num horizonte de Sol claro
    Talvez num tombo sob os olhos da mangueira
    Que troca o mundo, pelos mandos de um pealo

    E tua gente a caminhar chapéu tapeado
    Por esses campos de saudades, céu inteiro
    Parte de ti dos teus encantos, vida a fora
    De cola atada, o trote manso pra os campeiros

    E os teus caminhos de invernada e campo aberto
    Teu universo, muito além de um Sol de ouro
    Onde no fundo, de um rodeio, tropa grande
    Vive o distante na voz rouca de algum touro

    E as tuas paredes de retratos desbotados
    Amarelados pelas horas da razão
    Fotos de ontem, de um passado, de outros ventos
    Que o próprio tempo batizou de tradição

    O mesmo sangue dos teus filhos, de outros filhos
    Sombras que habitam e que habitaram tua distância
    Faces de ontem, novas faces do teu mundo
    Alma do campo batizada de Estância

    Composição: Cristian Camargo, Adriano Silva Alves. Essa informação está errada? Nos avise.

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