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Madre de Madres

Mercedes Sosa

A relação visceral com a terra em “Madre de Madres”

Em “Madre de Madres”, Mercedes Sosa retrata a terra natal como uma mãe primordial, fonte de vida, identidade e também de sofrimento. Logo no início, versos como “Siempre he vivido madre / Atada a tu costado” destacam a ligação profunda e inquebrável entre o eu lírico e sua pátria, sugerindo que essa conexão é tão essencial quanto o vínculo entre mãe e filho. A expressão “cordón de luna desolada” reforça essa ideia, evocando uma espécie de cordão umbilical marcado pela solidão e pela dor, refletindo as dificuldades enfrentadas pelo povo argentino.

A letra utiliza imagens como “barro antiguo”, “polen y limo” e “el mar arrastra en muertos sin edades” para remeter à ancestralidade e à história da Argentina, trazendo à tona tanto a fertilidade da terra quanto as tragédias e perdas que marcaram o país. O trecho “Hablo del niño a manos / De la metralla infame” faz referência direta à violência política e social, especialmente ao sofrimento causado por regimes autoritários, tema recorrente na obra de Mercedes Sosa e Víctor Heredia. Ao chamar a terra de “útero dulce” e “madre de madres”, a canção reforça a ideia de que a pátria é origem e refúgio, mesmo diante da dor coletiva. A frase final, “Nunca nos fuimos de tu lado / Por amor”, resume o sentimento de pertencimento e resistência, mostrando que o vínculo com a terra-mãe persiste por amor e compromisso com a memória e a identidade.

O significado desta letra foi gerado automaticamente.


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