A Epopéia de Zumbi

Nei Lopes

E de repente, era um, eram dez, eram milhares
Sob as asas azul da liberdade, nascia o estado de Palmares
Mas não tardou, e a opressão tentou calar não conseguiu
O brado da vida contra a morte, no primeiro estado livre do Brasil
Forjando ferro de Ogum, plantando cana e amendoim
Dançando seus batucajés, pilando milho e aipim
Fazendo lindos samburás, amando e vivendo enfim
Durante cem anos ou mais, Palmares viveu assim
E a luta prosseguia, contra a ignorância e ambição
Até que surgiu Zumbi, nosso Deus, nosso herói, nosso irmão
Ciente de que nenhum negro ia ser rei, enquanto houvesse uma senzala
Ao invés de receber a liberdade, Zumbi preferiu conquista-la
E depois de mais três anos de guerra, o punhal da traição varou Zumbi
Foi a 20 de novembro, data pra lembra e refletir
E quase 300 anos depois, um brado forte varonil
Ainda vem de Pernambuco e Alagoas, e se espalha pelo céu desse Brasil
Folga negro de Angola que ele não vem cá
Se ele vier Quilombola, pau há de levar

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