
Vida Além Desta Vida
Newton Jayme
Na sombra leve do último lamento
Caminham vozes que o tempo não levou
Não são corpos, são ideias vivas
São pensamentos que a morte não calou
Sócrates diz baixinho ao ouvido
Morrer é só continuar
E no silêncio do desconhecido
A alma aprende a dialogar
Platão sonha um outro horizonte
Feito de forma, verdade e luz
Onde o eterno se faz presente
E o ser, enfim, se conduz
Epicuro ri do medo escondido
Não há dor no não sentir
Se a morte chega, já partimos
Se estamos, ela há de fugir
E entre murmúrios e dúvidas
A vida insiste em cantar
Se a morte é só uma passagem
Pra onde o amor vai nos levar?
Entre o fim e o recomeço
Há um sopro de imensidão
Talvez morrer seja um verso
Inacabado na canção
Martin Heidegger olha
O tempo nos olhos
Carrega o fim no coração
É na certeza da despedida
Que nasce a decisão
Friedrich Nietzsche
Encara o abismo ardente
Faz da dor criação
Reinventa o próprio destino
Como um eterno refrão
E quando tudo silencia
Quando o medo já não diz
Surge uma voz que anuncia
Algo além do que se quis
Jesus Cristo
Vem como luz na noite
A vida nunca se desfaz
Quem crê não morre, renasce
No amor que é sempre mais
E entre murmúrios e dúvidas
A eternidade vem ensinar
Se a morte é só uma travessia
Há um infinito a nos chamar
Entre o fim e o recomeço
Deus escreve sem cessar
E o último acorde da vida
É o primeiro a despertar
Pois morrer, quem sabe, seja isto
Não um ponto, mas reticência
Um convite ao desconhecido
Ou a última consciência
Entre o fim e o recomeço
Deus escreve sem cessar
E o último acorde da vida
É o primeiro a despertar



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